Questão FC228637
Foi em 1949 que O Segundo Sexo, a obra mais famosa de Simone de Beauvoir, foi publicada. A afirmativa de Simone de Beauvoir de que “não se nasce mulher, torna-se”, explicitava a de
Gênero e Sexualidade
VUNESP · 2025
Foi em 1949 que O Segundo Sexo, a obra mais famosa de Simone de Beauvoir, foi publicada. A afirmativa de Simone de Beauvoir de que “não se nasce mulher, torna-se”, explicitava a desvinculação entre a biologia e o lugar que mulheres e homens ocupavam nas diferentes sociedades, permitindo expor as bases ideológicas e políticas do privilégio masculino. Dizendo de outra maneira, a perspectiva posta por Simone demonstra que a inferioridade das mulheres é algo que não existe nos limites de seus corpos, mas sim como resultado de um sistema de dominação que isola, classifica e inferioriza características físicas e genéticas de pessoas e grupos.
(Jurema Werneck, In: Marilene de Paula; Rosana Heringer. Caminhos convergentes: Estado e sociedade na superação das desigualdades raciais no Brasil, 2009. Adaptado)
Para Jurema Werneck, a construção do papel tradicional das mulheres tem como objetivo
- justificar a apropriação de poderes e riquezas comuns.
- colocar em risco a estrutura familiar tradicional e natural.
- corroer formas bem-sucedidas de organização social.
- problematizar a ordem moral religiosa judaico-cristã.
- preservar as vantagens femininas na atual estrutura social.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
A
Comentário do professor
A frase de Simone de Beauvoir "não se nasce mulher, torna-se" indica que a desigualdade não está no corpo, mas em construções sociais. Jurema Werneck retoma essa ideia para mostrar que o papel tradicional feminino é produzido por uma ordem ideológica.
Ao naturalizar papéis e características como inferiores, essa ordem sustenta um sistema de dominação que legitima a apropriação de poderes e de riquezas comuns. Ou seja, a imposição de um lugar social para as mulheres serve para justificar que recursos, cargos e privilégios permaneçam concentrados em outro grupo.
Esse processo se mantém por práticas culturais, normas institucionais e representações que isolam, classificam e inferiorizam, tornando a desigualdade aparentemente "natural" e, por isso, menos contestada.
Portanto, a construção do papel feminino funciona como instrumento ideológico para justificar e reproduzir a apropriação de bens e poder por quem detém o privilégio.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em