Questão FC228653
Estivemos, na verdade, ao longo das últimas décadas, participando de um processo fundamental de ruptura de um dos principais – talvez o mais importante – pilares de sustentação do
Raça, Etnia e Migração
VUNESP · 2025
Estivemos, na verdade, ao longo das últimas décadas, participando de um processo fundamental de ruptura de um dos principais – talvez o mais importante – pilares de sustentação do racismo no Brasil: o silêncio. Silêncio tão conhecido de negros, mulatos, morenos, afrodescendentes ou qualquer outra denominação atribuída à tonalidade da pele – que sofrem ao longo das suas vidas com as consequências do racismo. Muito da história da luta contra o racismo no Brasil, desde o início do século passado, tem a ver com esse esforço de romper o silêncio envergonhado, visto por alguns como um aspecto positivo – a vergonha de ser racista – em uma sociedade que produziu fenômeno dos mais peculiares na história da humanidade, o do “racismo sem racistas”.
(Roque, A. Construção e desconstrução do silêncio: reflexões sobre o racismo e o antirracismo na sociedade brasileira.
In: Paula, M. de e Heringer, R. Caminhos convergentes: estado e sociedade na superação das desigualdades raciais no Brasil, 2009)
Segundo o autor, o racismo brasileiro caracteriza-se
- pelo apoio institucional para a implantação de cotas raciais.
- pela postura generalizada de negação do racismo no país.
- pelo debate aberto sobre as implicações sociais do racismo.
- pela implementação nacional de políticas públicas inclusivas.
- pelo reconhecimento dos efeitos sociais do racismo estrutural.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
B
Comentário do professor
O autor sustenta que o racismo brasileiro se manifesta pela postura generalizada de negação. Essa negação toma a forma do silêncio — um acordo social tácito que oculta práticas e desigualdades raciais sob a aparência de normalidade.
Ao falar em “racismo sem racistas”, Roque aponta que muitos negam a existência do problema enquanto as suas marcas estruturais persistem: exclusão, diferença de oportunidades e estigmatização.
Essa postura implica a invisibilização das vítimas e dificulta o reconhecimento público das causas históricas e institucionais do racismo, tornando mais tênue a mobilização por políticas reparadoras.
Romper o silêncio, portanto, é condição para identificar responsabilidades coletivas, nomear práticas discriminatórias e avançar em ações antirracistas efetivas.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em