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Questão FC228659

Analise o trecho da canção “Canto das três raças”, composta por Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro e interpretada por Clara Nunes, e analise o excerto escrito pela filósofa Djamil

Raça, Etnia e Migração

VUNESP · 2023

Analise o trecho da canção “Canto das três raças”, composta por Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro e interpretada por Clara Nunes, e analise o excerto escrito pela filósofa Djamila Ribeiro.

 

Ninguém ouviu

Um soluçar de dor

No canto do Brasil

 

Um lamento triste

Sempre ecoou

Desde que o índio guerreiro

Foi pro cativeiro

E de lá cantou

 

Negro entoou

Um canto de revolta pelos ares

Do Quilombo dos Palmares

Onde se refugiou

 

(https://vagalume.com.br)

 

No Brasil há a ideia de que a escravidão aqui foi mais branda do que em outros lugares, o que nos impede de entender como o sistema escravocrata ainda impacta a forma como a sociedade se organiza. É necessário reconhecer as violências ocorridas durante o período escravista.

 

(Djamila Ribeiro. Pequeno manual antirracista, 2019.)

 

Em relação ao processo de formação da sociedade brasileira, o trecho da canção e o excerto

  1. equiparam as violências praticadas no período colonial.
  2. atestam a inexistência do trabalho compulsório indígena.
  3. relativizam o etnocentrismo sofrido pelos cativos.
  4. evidenciam a ausência da democracia racial.
  5. valorizam a capacidade de reestruturação dos indivíduos.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A canção descreve explicitamente o sofrimento do índio e do negro — “cativeiro”, “soluçar de dor”, “canto de revolta” — mostrando práticas de dominação e resistência no processo formador do país.

O trecho de Djamila Ribeiro denuncia o mito de uma escravidão “mais branda” e aponta para a necessidade de reconhecer as violências do período escravista e seus efeitos atuais na organização social.

Juntos, poema e excerto evidenciam a inexistência de convivência harmoniosa entre raças: representam a persistência de hierarquias e exclusões raciais, não uma convivência igualitária.

Por isso, ambos corroboram a ideia de ausência da democracia racial, isto é, a permanência de desigualdade e desigualdade estrutural fundada na escravidão.

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