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Questão FC228669

Francine Saillant (em Paula e Heringer, 2009), em seu texto “Direitos, cidadania e reparações pelos erros do passado escravista: perspectivas do movimento negro no Brasil”, escreve

Raça, Etnia e Migração

VUNESP · 2025

Francine Saillant (em Paula e Heringer, 2009), em seu texto “Direitos, cidadania e reparações pelos erros do passado escravista: perspectivas do movimento negro no Brasil”, escreve sobre memória e questão racial: “As reparações também são uma questão de memória. Assim, Edna Roland recorre à ideia de criar um memorial da escravidão no Brasil. Ela interroga o motivo da ausência de tal memorial: ‘Quatro milhões de vítimas do tráfico, 40 milhões de vítimas que nasceram no Brasil, 44 milhões de vítimas da escravidão e nenhum memorial? Como explicar isso enquanto existe um memorial para 475 mortos brasileiros na Segunda Guerra Mundial na Itália? Por que, então, nada para nós? 44 milhões de vítimas ainda não é o bastante? Onde estão nossos mortos, onde estão nossos cemitérios?’”. Com base no texto, a memória da escravidão, considerada como elemento de reparação, relaciona-se com a

  1. necessidade de reconhecer as vítimas da escravidão e promover a construção de memória coletiva como forma de enfrentamento ao racismo estrutural.
  2. redução da memória da escravidão a um problema essencialmente jurídico, sem impacto sobre a identidade e a cultura afro-brasileira.
  3. identificação das vítimas da escravidão exclusivamente em estudos acadêmicos, sem relevância pública.
  4. exclusividade da memória da Segunda Guerra Mundial como referência de reparação nacional, em detrimento de outras memórias históricas.
  5. defesa da memória da Segunda Guerra Mundial como um modelo para evitar que a escravidão seja lembrada de forma excessiva no Brasil.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa destaca que a memória da escravidão funciona como instrumento de reparação ao exigir o reconhecimento das vítimas e a construção de uma memória coletiva que combata a invisibilização histórica.

Ao propor monumentos, espaços de memória e inclusão curricular (como sugere a ideia do memorial da escravidão), busca-se restituir dignidade, nomear sujeitos e tornar públicos sofrimentos e resistências antes apagados.

Esse processo tem caráter simbólico e político: ao reconhecer oficialmente as vítimas e seu legado, cria-se narrativa pública capaz de questionar e enfrentar o racismo estrutural, influenciar políticas públicas e fortalecer a cidadania da população negra.

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