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Questão FC228699

As transformações no tempo e no espaço são responsáveis também pela ressignificação de conceitos, de modo que a pobreza urbana de hoje não é a mesma que a de décadas atrás [...]. O

Pobreza e Desenvolvimento

VUNESP · 2022

As transformações no tempo e no espaço são responsáveis também pela ressignificação de conceitos, de modo que a pobreza urbana de hoje não é a mesma que a de décadas atrás [...].

 

O imperativo das finanças permitiu a renovação dos padrões de consumo das camadas mais pobres das cidades, que experimentam, ao mesmo tempo, a precariedade em seu cotidiano. Dessa maneira, pobreza urbana é nova porque possui os conteúdos do atual período da história, e é velha porque ocorre em copresença da falta de serviços e infraestruturas básicas.

 

(Kauê Lopes dos Santos. Uma nova pobreza urbana: financeirização do consumo e novos espaços da periferia de São Paulo, 2017.)

 

O excerto identifica

  1. a contradição no perfil da pobreza nas cidades contemporâneas e define espaço como uma acumulação desigual de temporalidades.
  2. o aumento de consumo de bens duráveis e semiduráveis pela população pobre urbana e celebra o sucesso da política desenvolvimentista dos anos 1950.
  3. a expansão territorial das metrópoles dos países emergentes e questiona a importância do estudo do passado para compreender os problemas do presente.
  4. o impacto da modernização tecnológica das grandes cidades dos países subdesenvolvidos e destaca a implantação de políticas de aceleração do desenvolvimento nos anos 2000.
  5. a paralisia do setor financeiro privado diante do aumento da pobreza na década de 2010 e indica uma tendência de investimentos nas áreas nobres das grandes cidades.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O excerto evidencia uma contradição no perfil da pobreza urbana: ela é nova e velha simultaneamente — nova nas formas de consumo e nas relações financeirizadas, velha na permanência da falta de serviços e infraestrutura.

Ao mesmo tempo, define espaço como uma acumulação desigual de temporalidades: nas periferias convivem vestígios de exclusão histórica com práticas e bens próprios do presente, formando territórios onde diferentes tempos sociais se sobrepõem.

Essa leitura implica analisar a pobreza urbana não como um fenômeno homogêneo, mas como resultado da sobreposição de trajetórias históricas e mudanças recentes, revelando desigualdades que se manifestam tanto no cotidiano quanto nas oportunidades de inclusão.

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