Questão FC228708
Por trás do hábito de fugir da categoria explanatória “a fim de” e substituí-la pela categoria “por causa de”, se encontra o pressuposto tácito, ocasionalmente articulado, porém so
Outros Temas de Ciências Sociais
VUNESP · 2025
Por trás do hábito de fugir da categoria explanatória “a fim de” e substituí-la pela categoria “por causa de”, se encontra o pressuposto tácito, ocasionalmente articulado, porém sobretudo inconsciente e dificilmente questionado, de que “as coisas são como são” e “natureza é natureza – ponto final”, assim como a convicção de que há pouco ou nada que os agentes – sozinhos, em grupo ou coletivamente – possam mudar no que se refere aos veredictos da natureza.
(Zygmunt Bauman, Para que serve a sociologia?, 2015)
Para Bauman, o resultado do hábito generalizado das pessoas comuns, mencionado no excerto, é uma
- percepção social fragmentada, segmentada e cristalizada.
- dialética entre aspectos subjetivos e objetivos da experiência.
- visão crítica da sociedade resultante de indagações causais.
- visão de mundo inflexível, inerte e imune à argumentação.
- concepção dinâmica da natureza e dos sistemas sociais.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Bauman mostra que trocar sistematicamente a expressão "a fim de" por "por causa de" sinaliza um pressuposto tácito de imutabilidade: coisas vistas como naturais e inevitáveis.
Esse hábito linguístico e cognitivo gera uma visão de mundo inflexível, pois reduz possibilidades explicativas e recusa a ideia de que ações humanas podem transformar realidades.
Ao mesmo tempo, torna-se uma postura inerte: impede intervenções coletivas e políticas ao naturalizar circunstâncias que poderiam ser contestadas.
Por fim, essa leitura se mostra imune à argumentação porque pressupõe que nada há para discutir — tornando debates e evidências pouco eficazes diante de uma crença prévia na inevitabilidade.
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