Questão FC228710
Devem-se então reconhecer relações de equidade anteriores à lei positiva que as estabelece: como, por exemplo, supondo que existissem sociedades de homens, que seria justo conforma
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VUNESP · 2025
Devem-se então reconhecer relações de equidade anteriores à lei positiva que as estabelece: como, por exemplo, supondo que existissem sociedades de homens, que seria justo conformar-se às suas leis; que, se houvesse seres inteligentes que tivessem recebido algum benefício de outro ser, deveriam ser reconhecidos para com ele; que, se um ser inteligente tivesse criado outro ser inteligente, o ser criado deveria manter-se na dependência em que esteve desde sua origem; que um ser inteligente que fez algum mal a outro ser inteligente merece padecer do mesmo mal, e assim por diante.
(Montesquieu, O espírito das leis, 2000)
Considerando o excerto, Montesquieu argumenta que
- sobram demonstrações da capacidade humana de agir contrariando as leis do mundo físico.
- as leis que governam o mundo inteligente precedem as leis que governam o mundo físico.
- o mundo físico obedece às leis dos homens porque estes são a imagem e semelhança de Deus.
- o mundo inteligente está longe de ser tão bem governado quanto o é o mundo físico.
- acontecem milagres divinos porque as leis do mundo espelham necessidades humanas.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Mundo inteligente refere-se ao domínio das relações humanas e morais, regulado por princípios racionais que Montesquieu chama de relações de equidade — normas que seriam justas mesmo sem estarem positivadas pela lei.
No excerto, o autor enumera exemplos hipotéticos (sociedades, benefícios, criação, retribuição) para mostrar que, embora exista uma razão capaz de gerar regras justas, essas regras não se verificam com a mesma regularidade que as leis naturais.
Assim, Montesquieu conclui que o mundo inteligente (o social e moral) está sujeito a contingências, imperfeições e exceções, enquanto o mundo físico obedece a leis constantes e previsíveis. Em suma: a ordem racional desejável nas relações humanas não alcança a perfeição e a previsibilidade das leis da natureza.
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