Questão FC248950
Defendido como tese em 1955 e publicado em 1959, Visão do paraíso constituiu, sem nenhuma dúvida, o atestado de maioridade dos estudos de história da cultura no Brasil e, neste gên
História do Brasil
VUNESP · 2022
Defendido como tese em 1955 e publicado em 1959, Visão do paraíso constituiu, sem nenhuma dúvida, o atestado de maioridade dos estudos de história da cultura no Brasil e, neste gênero, não foi até hoje suplantado
(Laura de Mello e Souza, Aspectos da historiografia da cultura sobre o Brasil Colonial. Em: Marcos Cezar de Freitas (org.). Historiografia brasileira em perspectiva)
Visão do paraíso, obra de Sérgio Buarque de Holanda,
- apresenta a história do universo mental dos portugueses da época da exploração colonial, enfatizando- lhe o caráter mítico e explorando a tensão entre mudança e permanência.
- reforça a concepção de que a colonização da América portuguesa foi um projeto essencialmente mercantil e, assim, a questão religiosa não importou para o Estado português e os colonos.
- percebe que a colonização do Brasil trouxe benefícios para todos os grupos envolvidos nesse processo, mesmo os povos indígenas e os escravizados, porque houve apoio à miscigenação étnica.
- demonstra que a organização política, econômica e social do Brasil derivou de um rígido planejamento português, que foi seguido até a segunda metade do século XVIII, quando tem início as rebeliões coloniais.
- reconhece os esforços da colonização portuguesa em civilizar os povos nativos americanos, ao mesmo tempo em que não vê esse mesmo esforço por parte dos colonizadores da Espanha.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Em Visão do paraíso Sérgio Buarque de Holanda reconstrói o universo mental dos portugueses na época das navegações, enfocando imagens, expectativas e mitos que orientaram a expansão ultramarina.
O autor mostra como a visão do Novo Mundo como um lugar quase etéreo ou etéreo e providencial — uma espécie de mito do Éden — sustentou decisões e práticas coloniais, influindo tanto na exploração quanto nas formas de relação com indígenas e o meio.
Ao mesmo tempo, Holanda destaca a tensão entre mudança e permanência: elementos culturais ibéricos persistem, mas sofrem adaptações ao novo contexto, gerando um processo histórico marcado por continuidade e transformação simultâneas.
Trata‑se, portanto, de uma história cultural que privilegia o imaginário como fator explicativo das estruturas e comportamentos coloniais.
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