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Questão FC248964

A liberdade pouco valia para o indivíduo pobre que o mundo da produção e os aparelhos de poder esmagavam sem trégua, e no entanto ele era homem livre numa sociedade escravista. Apr

História do Brasil

VUNESP · 2021

A liberdade pouco valia para o indivíduo pobre que o mundo da produção e os aparelhos de poder esmagavam sem trégua, e no entanto ele era homem livre numa sociedade escravista. Aproveitado de modo intermitente mas regular pelo Estado e pelos homens bons, a sua utilidade real e empiricamente detectável era revestida por um ônus que o deixava sem razão de ser. A formulação dessa inutilidade justificava o sistema escravista, e o atributo da vadiagem passava a englobar toda uma camada social, desclassificando-a: no meio fluido dos homens livres pobres, todos passavam a ser vadios para a óptica dominante. Vadios e inúteis, era como se não existissem, como se o país não tivesse povo — pois, cativo, o escravo não era cidadão. E assim, inexistindo ou sendo identificado à animalidade, o homem livre pobre permaneceu esquecido através do século.

 

(Laura de Mello e Souza. Desclassificados do ouro:

a pobreza mineira no século XVIII, 2015. Adaptado.)

 

Ao tratar dos “desclassificados” na sociedade das Minas Gerais do século XVIII, o texto caracteriza-os como

  1. uma camada marcada pela ambiguidade e que revelava os mecanismos de exclusão sociopolíticos do período.
  2. uma classe potencialmente rebelde, que recorria a ações clandestinas e ilegais para subverter a ordem social.
  3. um setor improdutivo da economia local, que gerava gastos para os governantes, mas sem produzir ganhos e rendimentos.
  4. um grupo à margem da sociedade, que conseguia escapar dos tributos e dos rigores do trabalho.
  5. um segmento de técnicos e profissionais liberais, que era socialmente desprezado, mas fundamental na exploração de ouro.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa aponta que os “desclassificados” constituíam uma camada social marcada pela ambiguidade: eram homens livres no plano jurídico, mas, na prática, viviam submetidos à exploração e à marginalização num contexto escravista.

O texto mostra que essa condição ambígua permitia sua instrumentalização pelo Estado e pelas elites — usados quando convenientes e enquadrados como inúteis ou de vadiagem quando dispensáveis. Essa representação legitimava a exclusão, transformando-os em alvo de invisibilização e privando-os de participação e reconhecimento político.

Assim, a expressão “desclassificados” revela mecanismos de exclusão sociopolítica: não apenas pobreza econômica, mas uma desqualificação social que sancionava sua ausência de cidadania e direitos.

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