Questão FC248973
O movimento do século XVIII fora puramente humanitário: não era o corolário de uma necessidade de menos escravos, do qual ele teria sido o reflexo. A prova: o tráfico é tão ativo d
História do Brasil
VUNESP · 2023
O movimento do século XVIII fora puramente humanitário: não era o corolário de uma necessidade de menos escravos, do qual ele teria sido o reflexo. A prova: o tráfico é tão ativo depois de 1807 (ano em que o tráfico negreiro foi oficialmente proibido pelo Parlamento inglês) quanto antes... Por volta de 1830, continuava a haver 60 mil embarques anuais na África.
(Marc Ferro, História das colonizações: das conquistas às independências, séculos XIII a XX)
Apesar do volume apontado no fragmento, para Marc Ferro, o tráfico negreiro começou a diminuir
- com a preponderância dos interesses estadunidenses, desde o início do século XIX, no sentido de generalizar o uso do trabalho livre no país, objetivando aumentar a produtividade econômica em geral.
- a partir do contexto no qual foi mais rentável manter os negros na África, para que ali produzissem, sobretudo, azeite-de-dendê – uma transformação que se consolida durante a segunda metade do século XIX.
- na conjuntura inédita da primeira década do século XIX, momento no qual a burguesia industrial europeia se associa aos primeiros movimentos de trabalhadores para combater todas as formas de trabalho compulsório.
- após a publicação de uma bula papal, na metade do século XIX, condenando a escravidão em qualquer espaço do planeta e essa posição da Igreja Católica recebeu apoio das principais nações americanas.
- desde a década de 20 do século XIX, porque as colônias francesas na América sofreram recorrentes rebeliões de escravizados, o que tornava os espaços coloniais economicamente inviáveis.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Marc Ferro argumenta que a queda do tráfico não decorre apenas de proibições formais, mas de uma mudança econômica: tornou‑se mais rentável explorar a mão de obra africana na própria África do que deslocá‑la para as Américas.
Essa lógica implicou o estímulo à produção local de bens demandados pelo mercado industrial europeu, sobretudo o azeite‑de‑dendê, cuja extração e comércio geravam lucros constantes sem os custos e riscos do transporte transatlântico.
Esse processo de conversão para o chamado comércio legítimo, associado à expansão das redes comerciais e ao controle colonial, consolida‑se na segunda metade do século XIX, quando a dinâmica econômica contribui decisivamente para a redução do tráfico transatlântico, mesmo que práticas ilícitas persistissem.
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