Questão FC248974
Ao publicar Casa-grande e senzala, em 1933, escreveria Gilberto Freyre: “Desde logo salientamos a doçura nas relações de senhores com escravos domésticos, talvez maior no Brasil do
História do Brasil
VUNESP · 2023
Ao publicar Casa-grande e senzala, em 1933, escreveria Gilberto Freyre: “Desde logo salientamos a doçura nas relações de senhores com escravos domésticos, talvez maior no Brasil do que em qualquer outra parte da América”.
A frase expressa com clareza a visão que perpassa o livro e a obra em geral do sociólogo pernambucano sobre a escravidão brasileira: a amenidade dessa escravidão, sobretudo se comparada com a de outros países escravocratas.
(Suely Robles Reis de Queiróz, Escravidão negra em debate. (Em:Marcos Cezar de Freitas, Historiografia brasileira em perspectiva.)
Após a Segunda Guerra, essas ideias de Freyre passam a ser contestadas. Uma contraposição ao sociólogo pernambucano pode ser encontrada na obra
- Os africanos no Brasil, de Nina Rodrigues, que valoriza, pioneiramente, as formas de miscigenação que marcaram a constituição do povo brasileiro, com destaque para as contribuições africanas.
- Populações meridionais do Brasil, de Oliveira Viana, marco da historiografia nacional que buscou demonstrar que as regiões mais desenvolvidas do Brasil contemporâneo não usaram o trabalho cativo.
- Brasil e África. Outro Horizonte, de José Honório Rodrigues, na qual se apresenta um recorte cronológico inédito, apontando para a África como elo essencial para a formação do Estado nacional brasileiro.
- O escravismo colonial, de Jacob Gorender, na qual se destaca a violência do cativeiro e a formação social brasileira é explicada a partir do modo de produção escravista colonial.
- Capítulos de História Colonial, de Capistrano de Abreu, trabalho seminal sobre a formação social do Brasil e que analisa os significados históricos do uso da mão de obra livre na agroindústria colonial.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
O escravismo colonial, de Jacob Gorender, contrapõe-se à noção de uma escravidão "amena" ao colocar no centro a violência cotidiana e institucionalizada do cativeiro.
Gorender analisa a escravidão como modo de produção escravista, isto é, como base econômica e social que modelou relações de poder, propriedade e trabalho no Brasil colonial e imperial.
Ao relacionar exploração econômica, criação de hierarquias raciais e coordenação estatal, a obra explica a formação social brasileira por estruturas objetivas, não por laços paternalistas.
Destaca também a resistência dos escravizados e as formas de controle social, contribuindo para a revisão historiográfica pós‑Segunda Guerra e para uma leitura crítica da herança escravocrata.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em