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Questão FC248975

As rebeliões representaram a mais direta e inequívoca forma de resistência escrava coletiva. Elas tornaram-se mais frequentes a partir do final do século XVIII. (João José Reis, “N

História do Brasil

VUNESP · 2023

As rebeliões representaram a mais direta e inequívoca forma de resistência escrava coletiva. Elas tornaram-se mais frequentes a partir do final do século XVIII.

 

(João José Reis, “Nos achamos em campo a tratar a liberdade”: a resistência negra no Brasil oitocentista. Em: Carlos Guilherme Mota, Viagem incompleta. A experiência brasileira (1500-2000). Formação: histórias. Adaptado)

 

Para João José Reis, o aumento da frequência de rebeliões escravas a partir do final do século XVIII, teve relação com

  1. a nova legislação portuguesa que exigia que todos os escravizados fossem registrados junto às autoridades das vilas e cidades, sendo que os custos relativos aos registros recairiam sobre os cativos.
  2. o renascimento da mineração na região central do Brasil, o que exigiu que enormes contingentes de escravizados fossem transferidos das regiões decadentes do Nordeste açucareiro para o trabalho nas minas.
  3. os intensos investimentos diretos feitos por Portugal, desde a Era Pombalina, para modernizar o comércio de escravizados com várias regiões africanas, havendo um cuidado especial com Moçambique.
  4. a expansão das áreas dedicadas à agricultura comercial e a consequente intensificação do tráfico escravo, que fez crescer a população cativa e em particular o seu contingente africano.
  5. a política colonial de sobretaxar a propriedade de escravizados para os senhores dos grandes plantéis, condição que proporcionou o aumento da exploração do trabalho nas regiões agroexportadoras.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A partir do final do século XVIII a expansão das áreas de agricultura comercial (notadamente o café) elevou a demanda por mão de obra, estimulando a intensificação do tráfico escravo para suprir plantações em crescimento.

Esse aumento fez crescer a população cativa, com maior proporção de cativos africanos-nascidos, que chegavam com línguas, saberes sobre guerra e fuga, e redes de parentesco e solidariedade.

O resultado foi maior capacidade de articulação coletiva: contingentes numéricos maiores, concentração geográfica nas fazendas e rotinas opressivas criaram condições favoráveis à formação de quilombos e à deflagração de rebeliões mais frequentes e organizadas.

Assim, expansão agrícola + tráfico ampliado produziu o substrato demográfico e social que explicou o crescimento das insurreições escravas.

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