Questão FC248976
Inúmeros quilombos foram construídos no século XIX, principalmente nas décadas finais do período escravista. Seus habitantes eram chamados de quilombolas, mocambeiros ou calhambola
História do Brasil
VUNESP · 2023
Inúmeros quilombos foram construídos no século XIX, principalmente nas décadas finais do período escravista. Seus habitantes eram chamados de quilombolas, mocambeiros ou calhambolas e foram perseguidos pelos senhores de escravos e pelo aparato militar colonial e imperial. Alguns quilombos conseguiram sobreviver durante muitos anos mesmo durante a escravidão.
(Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes. O negro no Brasil de hoje)
Para Munanga e Gomes, em geral, a sobrevivência de alguns quilombos derivou
- do fato de alguns quilombos localizarem-se em áreas de maior isolamento e outros manterem relação de aliança com indígenas, brancos pobres e demais grupos da população e em alguns casos, essas duas estratégias podem ter acontecido ao mesmo tempo.
- de uma organização essencialmente militarizada e com forte hierarquização social, associada à produção de excedentes agrícolas exportáveis, como ocorria com o café, açúcar e tabaco, além do extrativismo representado pela exploração de ouro em Minas Gerais.
- da improbidade administrativa da maior parte dos dirigentes designados para dirigir as mais importantes províncias do Império, porque havia o entendimento, entre esses dirigentes, de que os quilombos se constituíam em válvulas de escape para a opressão do sistema escravista.
- de recorrentes acordos tácitos entre os quilombolas e os mais importantes proprietários de uma determinada região, sendo que, nesses acordos, os dirigentes quilombolas comprometiam-se em não ampliar a libertação de escravizados e os senhores evitavam atacar tais esconderijos.
- das profundas rivalidades que separavam os interesses dos grandes proprietários rurais e as autoridades políticas do Império, porque enquanto essas autoridades consideravam a necessidade de abolir o escravismo, os senhores escravocratas defendiam a sobrevida do trabalho compulsório.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Segundo Munanga e Gomes, a sobrevivência de alguns quilombos decorreu, sobretudo, do isolamento geográfico e das alianças com outros grupos marginalizados.
O isolamento (localização em áreas de difícil acesso como matas densas, serras e manguezais) dificultava operações militares e a ação direta dos senhores de escravos, ampliando a segurança dos refúgios.
Paralelamente, as alianças com indígenas, brancos pobres e demais populações locais garantiam apoio logístico: alimentação, rotas de fuga, informações e relações comerciais e sociais que fortaleciam a reprodução do grupo.
Em muitos casos essas duas estratégias atuaram conjuntamente, combinando proteção territorial com redes humanas de solidariedade, o que ampliou a capacidade de resistência e permanência dos quilombos ao longo do século XIX.
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