Questão FC248982
Ao lado da empresa comercial e do regime de grande propriedade, acrescentemos um terceiro elemento: o trabalho compulsório. Também nesse aspecto, a regra será comum a toda a Améric
História do Brasil
VUNESP · 2020
Ao lado da empresa comercial e do regime de grande propriedade, acrescentemos um terceiro elemento: o trabalho compulsório. Também nesse aspecto, a regra será comum a toda a América Latina, ainda que com variações. Diferentes formas de trabalho compulsório predominaram na América espanhola, enquanto uma delas – a escravidão – foi dominante no Brasil.
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Mas se a introdução do trabalho escravo se explica resumidamente dessa forma, por que se optou preferencialmente pelo negro e não pelo índio? Em primeiro lugar, lembremos que houve uma passagem da escravidão do índio para a do negro, que variou no tempo e no espaço.
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(Boris Fausto, História do Brasil)
Sobre a citada variação “no tempo e no espaço”, é correto afirmar que
- no Estado do Maranhão, até meados do século XVIII, havia uma legislação particular que permitia a escravização de povos indígenas, desde que houvesse a anuência da autoridade religiosa local.
- no Nordeste açucareiro, a opção pelo trabalho cativo dos povos indígenas, no decorrer do século XVI, derivou da forte queda do preço internacional do açúcar, o que impossibilitava a compra de escravos africanos.
- a passagem para o uso do africano foi mais rápida na economia açucareira, porque havia condições de absorver o preço da compra do escravo negro, mas demorou a ocorrer nas regiões periféricas, como São Paulo.
- as regiões com frágil ligação com o mercado externo preferiam o trabalho escravo africano porque as ordens religiosas, com o apoio das autoridades metropolitanas, atuavam com rigidez para impedir a escravidão indígena.
- durante o século XVI coexistiram índios e africanos escravizados nas variadas produções coloniais, mas no século seguinte, a proibição em tornar cativos os indígenas foi efetivada em toda a Colônia.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa destaca que a economia açucareira foi a primeira a substituir a escravização indígena pelo africano porque podia suportar o alto preço do escravo africano.
As grandes plantações de açúcar (plantation) eram intensivas em capital e geravam lucros suficientes para amortizar o custo de compra, transporte e manutenção do escravo africano, além de oferecer escala produtiva que tornava esse investimento rentável.
Por outro lado, as regiões periféricas (como São Paulo) tinham economias menos conectadas ao mercado externo, menor disponibilidade de capital e atividades menos lucrativas para absorver esse custo. Nesses espaços, a transição ocorreu mais lentamente e persistiram formas locais de trabalho compulsório.
Assim, a variação "no tempo e no espaço" indica diferenças econômicas e financeiras entre setores e regiões coloniais.
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