Questão FC248984
Quanto a pátrias, o texto d’O Paraense é claro: estas são as províncias, locais de reiteração de trajetórias particulares engendradoras dos “Povos” e de suas identidades coletivas.
História do Brasil
VUNESP · 2019
Quanto a pátrias, o texto d’O Paraense é claro: estas são as províncias, locais de reiteração de trajetórias particulares engendradoras dos “Povos” e de suas identidades coletivas. O plural do periodista tanto remete a um linguajar ancien régime, quanto demarca a multiplicidade dos âmbitos reais, concretos, da difícil “amalgamação” das diferenças, tanto aquelas às quais se referia José Bonifácio, quanto das que distinguiam o Pará de Pernambuco ou Minas Gerais da Cisplatina, e fazia os maranhenses saberem-se diferentes dos baianos. O Brasil, por seu turno, é o país, enorme mosaico de diferenças, cujas peças mal se acomodavam no império emergente do rompimento com Portugal, a partir de então “pátria mãe” e não mais “reino irmão”. E nesse quadro de contradições, não parece ser irrelevante destacar que a identidade nacional brasileira emergiu para expressar a adesão a uma nação que deliberadamente rejeitava identificar-se com todo o corpo social do país, e dotou-se para tanto de um Estado para manter sob controle o inimigo interno.
(István Jancsó e João Paulo G. Pimenta, Peças de um mosaico
(ou apontamentos para o estudo da emergência da identidade nacional
brasileira). Em Carlos Guilherme Mota (org). A experiência brasileira.
Formação: histórias. Adaptado)
Segundo o artigo, no contexto apresentado, “inimigo interno” refere-se
- aos colonos nascidos em Portugal.
- às elites regionais do Centro-Sul.
- aos religiosos defensores dos indígenas.
- aos escravos de origem africana.
- aos comerciantes estrangeiros.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A expressão “inimigo interno”, no contexto do texto, refere-se aos escravos de origem africana porque a construção da identidade nacional foi seletiva: excluía parcelas sociais cuja inclusão ameaçasse a ordem estabelecida.
Os autores mostram que a nação nascente buscou coesão sem integrar os escravizados, vistos pelas elites como grupo com potencial insurrecional, especialmente após exemplos como a revolução do Haiti.
Por isso o Estado foi pensado como instrumento para conter e controlar esses setores, preservando a nova ordem política e econômica.
Assim, “inimigo interno” indica o temor das elites em relação aos escravos, considerados risco à estabilidade do país em construção.
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