Questão FC248987
[...] as irmandades de negros eram espaços permitidos dentro da legalidade, nos quais o escravo podia manifestar- -se fora de suas relações de trabalho. [...] Em certo sentido, era
História do Brasil
VUNESP · 2021
[...] as irmandades de negros eram espaços permitidos dentro da legalidade, nos quais o escravo podia manifestar- -se fora de suas relações de trabalho. [...] Em certo sentido, era através da religião católica que o escravo encontrava algum lenitivo para sua situação. Tudo indica que a permissão para a criação das irmandades de negros tenha sido dada com o intuito de obter melhores resultados na cristianização dos escravos [...].
Paradoxalmente, os negros utilizaram as irmandades para resguardar valores culturais, em especial suas crenças religiosas. [...] Tudo leva a crer que, a partir da realidade vivida naquela época, bem como considerando as dificuldades, o negro recriou e reinterpretou a cultura dominante, adequando- a à sua maneira de ser.
(Ana Lúcia Valente. “As irmandades de negros: resistência e repressão”. In: Horizonte, v. 9, no 21, 2011.)
Segundo o excerto, as irmandades religiosas de negros, no Brasil colonial, eram
- organizações culturais destinadas à difusão do catolicismo e, paralelamente, à valorização do sincretismo religioso.
- confrarias em que era proibido, por ordens metropolitanas, o contato direto entre escravizados.
- templos em que era permitida, pelas autoridades coloniais, a realização de cultos religiosos de origem africana.
- espaços de imposição de princípios europeus aos escravizados e, simultaneamente, de manifestação de traços culturais de matriz africana.
- instituições de apoio e auxílio aos escravizados, criadas e mantidas por meio da atuação catequizadora dos jesuítas espanhóis.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa destaca o caráter ambíguo das irmandades: eram, por um lado, instrumentos de imposição de normas e ritos católicos — criadas para facilitar a cristianização e a aproximação dos escravizados à cultura europeia.
Por outro lado, esses mesmos espaços funcionaram como arenas de manifestação e preservação de práticas africanas. Nas confrarias os escravizados mantiveram laços comunitários, rituais funerários e expressões religiosas que, embora camufladas sob a forma católica, preservavam elementos de sua matriz cultural.
Esse processo produziu sincretismo e uma recriação cultural: os negros reinterpretaram símbolos e celebrações europeias à luz de suas tradições, transformando as irmandades em locais de resistência cultural e de negociação identitária.
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