Questão FC248988
Mas foram determinados traços de mentalidade, peculiares aos colonizadores portugueses, que permitiram operar a seleção das técnicas adotadas, a retirar, da botica da natureza, cer
História do Brasil
VUNESP · 2023
Mas foram determinados traços de mentalidade, peculiares aos colonizadores portugueses, que permitiram operar a seleção das técnicas adotadas, a retirar, da botica da natureza, certas substâncias e não outras, imprimindo sentido nos arranjos culturais e influindo sobre a história dos homens. Mentalidade que não se apresentava quase imóvel, como nos trabalhos de Philippe Ariès, mas passível de alterar-se aos poucos, sob o impacto da “agitação de superfície” representada pela adoção de novas técnicas e de novos costumes. Mentalidade, por outro lado, a constituir o substrato comum de práticas diversas: há analogia, para Sérgio Buarque de Holanda, entre o fascínio lusitano pelo ultramar e o fascínio dos mamelucos paulistas pelo interior, as monções assumindo, neste imaginário, a forma de uma “imigração ultramarina”. Trata-se, assim, do mesmo objeto repensado já à luz de outras cogitações: as que embalavam a feitura de Visão do Paraíso.
(Laura de Mello e Souza, Aspectos da Historiografia da Cultura sobre o Brasil Colonial. Em: Marcos Cezar de Freitas, Historiografia brasileira em perspectiva. Adaptado)
Sobre a obra Visão do Paraíso, é correto afirmar que ela
- trouxe a análise materialista para a compreensão da História e apresenta a formação do povo brasileiro determinada pela infraestrutura imposta pelo colonizador e pela superestrutura garantida pelas nações indígenas e africanas.
- delineia os limites da capacidade colonizadora portuguesa na América, explicitando que a mentalidade mercantil dos colonos e das autoridades metropolitanas se sobrepôs aos princípios religiosos.
- constitui-se em uma leitura bastante pessimista acerca do futuro nacional brasileiro, porque demonstra a formação étnica provocada pela colonização gerou uma população frágil, em razão de ser mestiça.
- estabeleceu um rumo inesperado para a historiografia brasileira, porque descobriu que o primado da fé, justificador da ação expansionista portuguesa, não fazia parte do imaginário dos colonos.
- traça a história do universo mental dos colonos portugueses da época dos descobrimentos, enfatizando-lhe o caráter mítico e explorando a tensão entre mudança e persistência.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Visão do Paraíso reconstrói o universo mental dos colonos portugueses, investigando como imagens, símbolos e mitos orientaram práticas e decisões no contato com o novo mundo.
O autor mostra o caráter mítico dessa mentalidade: a paisagem era lida à luz de histórias religiosas e lendárias que davam sentido à ocupação e à exploração, funcionando como uma lente interpretativa.
Ao mesmo tempo, evidencia a tensão entre mudança e persistência: técnicas, costumes e interações sociais introduzem transformações superficiais, enquanto núcleos simbólicos e padrões de pensamento se mantêm e condicionam a adaptação.
Assim, a obra não descreve apenas fatos, mas mapeia as estruturas mentais que explicaravam continuidades e rupturas na formação da sociedade colonial.
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