Questão FC248992
Procuremos examinar com especial destaque o processo de monumentalização a que foram submetidos o evento e suas fontes e, a partir daí, propor novas linhas de interpretação. Termos
História do Brasil
VUNESP · 2023
Procuremos examinar com especial destaque o processo de monumentalização a que foram submetidos o evento e suas fontes e, a partir daí, propor novas linhas de interpretação. Termos como rebelião, revolta e motim, quando referidos a seu tempo e analisados no contexto do século XVIII, comportam significados relativamente diversos e polissêmicos em relação a seu uso contemporâneo.
(João Pinto Furtado, Imaginando a nação: o ensino de história da Inconfidência Mineira na perspectiva da crítica historiográfica.
Em: Lana Mara de Castro Siman e Thais Nívia de Lima e Fonseca (orgs.), Inaugurando a História e construindo a nação.
Discursos e imagens no ensino de História)
Furtado entende que, na sociedade do século XVIII, a rebelião, a revolta ou o motim
- eram recursos políticos normais, até admitidos pelo Estado ou pela Igreja, e com muita frequência redundavam apenas numa série de escaramuças seguidas de algum nível de negociação e anistia.
- foram reprimidos, em regra, com muita rigidez, que resultou em enorme quantidade de vítimas da ação do Estado português, que apreendia que tais atos dessacralizavam o poder real.
- tinham pouca ligação com as estruturas de controle e resistência do Antigo Regime, porque a figura do rei era intocável e qualquer protesto que visasse o soberano era tratado como crime lesa-majestade.
- eram comandados, em geral, pelos proprietários de terras e escravizados, com a anuência de um setor liberal-radical do clero, mas foram pouco recorrentes e com minguados resultados.
- estiveram pouco presentes durante o processo de colonização, porque apenas no início do século XIX os colonos começaram a se perceber como não-portugueses e passaram a exigir alguns direitos.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Furtado defende que os termos rebelião, revolta e motim no século XVIII são polissêmicos: não equivalem automaticamente ao anátema moderno de subversão irreversível, mas a práticas políticas integradas ao jogo do poder.
Esses episódios funcionavam muitas vezes como um recurso político, um mecanismo de pressão que poderia ser tolerado ou até institucionalmente enquadrado pelo Estado e pela Igreja, servindo como válvula de tensão social.
Na prática, frequentemente se resumiam a escaramuças localizadas que, após desgaste mútuo, eram resolvidas por negociação e concessões, inclusive anistia, em vez de punição extrema.
Portanto, a alternativa destaca corretamente a visão de Furtado: entender tais eventos exige atenção ao contexto e ao significado contemporâneo dos termos, não à leitura teleológica aplicada posteriormente.
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