Questão FC248994
São fartas, nos ADIM [Autos de Devassa da Inconfidência Mineira], as evidências de que os inconfidentes divergiam quanto a temas absolutamente fundamentais no que tange aos acontec
História do Brasil
VUNESP · 2023
São fartas, nos ADIM [Autos de Devassa da Inconfidência Mineira], as evidências de que os inconfidentes divergiam quanto a temas absolutamente fundamentais no que tange aos acontecimentos subsequentes à decretação da derrama, cobrança de impostos acumulados há décadas. Não havia consenso sobre o destino a ser dado ao Governador, sobre o formato final da revolta em termos operacionais, sobre seu próprio teor, sobre o futuro da escravidão [...], sobre o sistema de governo, natureza e dimensões da República a ser implantada [...]
(João Pinto Furtado, Imaginando a nação: o ensino da história da Inconfidência Mineira na perspectiva da crítica historiográfica. Em: Lana Mara de Castro Siman e Thais França de Lima e Fonseca (orgs.), Inaugurando a História e construindo a nação; discursos e imagens no ensino de História.)
A partir do excerto, assim como do artigo citado, é correto afirmar que a Inconfidência Mineira
- canalizava uma série de insatisfações da elite mineira, mas foi o setor popular que construiu e disseminou as ideias revolucionárias.
- revelava a existência de dissensões e divisões internas que expressavam os diferentes interesses e inserções dos agentes na trama.
- explicava as dificuldades econômicas em Minas Gerais por causa da ausência de investimentos portugueses em tecnologia para explorar minas.
- expunha ideais libertários, inspirados nas revoluções europeias, mas não permitia que membros das classes populares fizessem parte da conspiração.
- contava com um seleto grupo de funcionários públicos fiéis à Coroa portuguesa e que defendia apenas a extinção dos tributos sobre o ouro.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
B
Comentário do professor
O excerto dos ADIM revela claramente a existência de dissensões entre os inconfidentes: havia controvérsias sobre destino do governador, formato da ação, futuro da escravidão e modelo de Estado.
Essas diferenças não são meramente táticas, mas sinalizam distintos interesses e inserções sociais dos envolvidos. Integravam a trama proprietários, comerciantes, oficiais, funcionários e jovens intelectuais, cada qual com prioridades específicas.
Consequentemente, a Inconfidência não apresentou uma única plataforma unificada; antes, constituiu um campo de negociações internas em que projetos distintos concorriam por prevalecer.
Portanto, afirmá‑la como expressão de divisões internas que refletiam interesses variados é interpretar adequadamente as fontes e a natureza do movimento.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em