Questão FC248995
Alguns envolvidos também foram capazes de pensar um Brasil sem escravos. Manoel José Novais de Almeida havia escrito pedindo que libertassem seus escravos no Brasil, “e servi-vos c
História do Brasil
VUNESP · 2022
Alguns envolvidos também foram capazes de pensar um Brasil sem escravos. Manoel José Novais de Almeida havia escrito pedindo que libertassem seus escravos no Brasil, “e servi-vos com gente forra e livre, terei menos inimigos; porque entre cristãos, não parece bem aos olhos da boa filosofia, que haja cristãos cativos”.
Mas, enquanto os conspiradores do Rio de Janeiro pertenciam, na sua maioria, às elites coloniais, quatro anos depois, na Bahia, uma conspiração de artesãos e escravos, brancos, pardos e negros também formularam ideias semelhantes. Também eles podiam imaginar um Brasil diferente […]
(Stuart B. Schwartz, “Gente da terra braziliense da nasção”. Pensando o Brasil: a construção de um povo. Em: Carlos Guilherme Mota, A experiência brasileira. Formação: histórias)
Para Stuart B. Schwartz, os conspiradores baianos imaginam uma ordem na qual
- o Brasil fosse elevado a Reino Unido a Portugal, Salvador voltasse a ser capital do Brasil e a cultura e exportação do açúcar fosse subsidiada.
- a escravidão seria abolida, os portos abertos, as distinções de cor eliminadas e a igualdade de hierarquia e de oportunidade estabelecida.
- o monopólio do tráfico negreiro seria reestabelecido, haveria a extinção do imposto de importação e a educação escolar básica implementada.
- os escravos nascidos no Brasil seriam alforriados, o direito ao voto ficaria restrito aos proprietários e os colonos nascidos em Portugal seriam expulsos da Bahia.
- a pequena propriedade seria a base de toda economia, o poder do rei devia ser legalmente limitado e os integrantes do clero deveriam ser expulsos da capitania.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa B sintetiza o projeto político-social que o texto atribui aos conspiradores baianos: abolição da escravidão, portos abertos, eliminação das distinções de cor e igualdade de hierarquia e de oportunidade.
O trecho cita Manoel José Novais pedindo alforria e, sobretudo, ressalta que artesãos e escravos de diferentes matizes “podiam imaginar um Brasil diferente”. Isso revela uma visão antiescravista e igualitária.
A ideia de portos abertos conecta-se à vontade de romper privilégios mercantis e integrar a economia de forma menos corporativa. A eliminação das distinções de cor e a igualdade hierárquica apontam para uma ruptura com a ordem social baseada em raça e nascimento.
Assim, a alternativa reúne as transformações políticas, econômicas e sociais implícitas no projeto desses conspiradores.
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