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Questão FC248998

Em 1789, no engenho Santana de Ilhéus, Bahia, os escravos mataram o feitor e se adentraram nas matas com as ferramentas do engenho, até reaparecerem algum tempo depois com uma prop

História do Brasil

VUNESP · 2019

Em 1789, no engenho Santana de Ilhéus, Bahia, os escravos mataram o feitor e se adentraram nas matas com as ferramentas do engenho, até reaparecerem algum tempo depois com uma proposta de paz em que pediam melhores condições de trabalho, acesso a roças de subsistência, facilidades para comercializar os excedentes dessas roças, direito de escolher seus feitores, licença para celebrar livremente suas festas, entre outras exigências.

 

[João José Reis, “Nos achamos em campo a tratar da liberdade”:

a resistência negra no Brasil oitocentista. Em: Carlos Guilherme

Mota (org). Viagem incompleta. A experiência brasileira.

Formação: histórias (1500-2000)]

 

 

No evento apresentado, é correto reconhecer que

  1. os mecanismos de resistência à escravidão foram raros e efêmeros, porque o caminho da negociação direta entre os escravos e os seus senhores eram frequentes e fez com que as condições de trabalho dos escravos fossem razoáveis.
  2. a importância da exploração do trabalho compulsório no Brasil foi superestimada, tendo em vista que as insistentes rebeliões de escravos não atrapalhavam a produção de mercadorias no campo.
  3. as revoltas escravas eram recorrentes apenas nas regiões produtoras de açúcar, e o efeito imediato dessas revoltas foram leis ampliando os direitos dos escravos e restringindo a ação dos senhores sobre seus escravos.
  4. as atividades relacionadas à agro-exportação eram dependentes do trabalho escravo, mas o mesmo não ocorria com as outras atividades econômicas, que já contavam com outras modalidades de trabalho livre.
  5. as rebeliões representavam uma forma clara de resistência contra a escravidão e, ao mesmo tempo, nem sempre objetivavam a liberdade imediata dos rebelados, mas diminuir os níveis de opressão e a busca por algum benefício.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O episódio do engenho Santana deve ser lido como uma expressão concreta de resistência ao sistema escravista: a ação violenta dos cativos serviu para interromper a ordem e forçar uma negociação com os senhores.

Nem toda insurreição buscava exclusivamente a liberdade imediata. Muitas vezes os rebelados reivindicavam melhorias concretas — melhores condições de trabalho, acesso a roças de subsistência, autonomia para festas e escolha de feitores — medidas que diminuíam a opressão cotidiana.

Essas demandas mostram uma estratégia pragmática: ao romper a rotina do engenho, os escravizados criavam poder de barganha para obter direitos e benefícios que aumentavam sua margem de sobrevivência e dignidade.

Portanto, a alternativa aponta corretamente que as rebeliões eram simultaneamente formas de luta e instrumentos de negociação para reduzir a violência e as limitações impostas pelo sistema escravista.

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