Questão FC249001
Raymundo Faoro […] partilhava da preocupação de contribuir para uma compreensão histórica mais aprofundada das causas do vigoroso conservadorismo que tem caracterizado o exercício
História do Brasil
VUNESP · 2022
Raymundo Faoro […] partilhava da preocupação de contribuir para uma compreensão histórica mais aprofundada das causas do vigoroso conservadorismo que tem caracterizado o exercício do poder ao longo das mudanças que têm ocorrido na nossa sociedade.
(Leandro Konder, História dos intelectuais nos Anos 50.
In: Marcos Cezar de Freitas (org.), Historiografia brasileira
em perspectiva. São Paulo: Contexto, 1998, p. 374)
Na sua obra Os donos do poder, publicada em 1958, Faoro
- defendia a tese de um regime de patrimonialismo desenvolvido em Portugal que fora trazido para o Brasil e vinha se adaptando a todas as novas situações e demonstrando uma capacidade de ser perpetuar.
- advoga a positividade da colonização portuguesa na América, que permitiu o encontro entre diversas raças e efetivou um processo único de miscigenação, resultando em uma sociedade sem racismo.
- reconhece menos os erros e mais os acertos da colonização portuguesa e vê o processo de independência não como ruptura com o passado, mas o Brasil independente como essencialmente português.
- recusa os determinismos geográfico, climático e racial para explicar as razões do subdesenvolvimento do Brasil e reconhece as identidades do povo brasileiro na luta contra as elites luso-brasileiras.
- trabalha com as determinações psicológicas da experiência colonial portuguesa, provocadores de estruturas mentais de defesa do comunitarismo, que nunca foi superado na história do Brasil.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Em Os donos do poder (1958) Raymundo Faoro apresenta a tese de um regime de patrimonialismo desenvolvido em Portugal e transplantado ao Brasil.
Por patrimonialismo entende-se a prática em que não há separação clara entre o público e o privado: o Estado e seus recursos passam a ser tratados como extensão da propriedade das elites.
Faoro mostra como essa confusão entre público e privado permite àquelas elites a apropriação da coisa pública, transformando cargos e instituições em instrumentos de domínio e privilégio.
A chave da explicação é a capacidade de adaptar-se dessa estrutura: mesmo diante de transformações políticas e sociais, as práticas patrimonialistas se reconfiguram para perpetuar-se no poder.
Assim, a alternativa expressa corretamente a ideia central de Faoro: a origem histórica, a continuidade institucional e a eficácia do patrimonialismo explicam a permanência dos “donos do poder”.
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