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Questão FC249021

O luxo e a corrupção nasceram entre nós antes da civilização e da indústria. E qual será a causa principal de um fenômeno tão espantoso? A escravidão, senhores, a escravidão. Porqu

História do Brasil

VUNESP · 2021

O luxo e a corrupção nasceram entre nós antes da civilização e da indústria. E qual será a causa principal de um fenômeno tão espantoso? A escravidão, senhores, a escravidão. Porque o homem que conta com os trabalhos diários de seus escravos vive na indolência, e a indolência traz todos os vícios após si.

 

(José Bonifácio de Andrada e Silva, 1825. Apud: Ynaê Lopes dos Santos. História da África e do Brasil afrodescendente, 2017. Adaptado.)

 

A manifestação de uma das principais lideranças do país, logo após a independência política, revela a

  1. justificativa para a adoção, no Primeiro Reinado, de políticas agressivas de estímulo à imigração.
  2. disposição, majoritária nos setores que participaram do processo emancipacionista, de eliminar gradualmente a escravidão.
  3. campanha abolicionista sistemática, iniciada ainda no período colonial, dos cafeicultores paulistas.
  4. rejeição, de clara influência liberal-iluminista, da ideia de que os homens são desiguais por natureza.
  5. crítica, voltada aos setores social e politicamente hegemônicos do Brasil, à dependência do trabalho obrigatório.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O enunciado de José Bonifácio identifica explicitamente a escravidão como a causa do “luxo e da corrupção”, oferecendo um diagnóstico moral e social: a dependência do trabalho forçado gera indolência e, consequentemente, vícios.

Ao dizer que “o homem que conta com os trabalhos diários de seus escravos vive na indolência”, o autor dirige sua crítica aos setores social e politicamente hegemônicos — isto é, às elites que sustentam seu conforto e poder sobre o trabalho obrigatório.

Portanto, o trecho funciona como uma denúncia da relação estrutural entre poder e escravidão: não é apenas uma observação moral, mas uma crítica política à dependência do trabalho obrigatório como fundamento da dominação e da degeneração das elites.

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