Questão FC249031
O movimento abolicionista se estendeu até 1888, liderado por Joaquim Nabuco, Tavares Bastos e José do Patrocínio, e organizado pela Sociedade Brasileira contra a Escravidão. [...]
História do Brasil
VUNESP · 2019
O movimento abolicionista se estendeu até 1888, liderado por Joaquim Nabuco, Tavares Bastos e José do Patrocínio, e organizado pela Sociedade Brasileira contra a Escravidão. [...] Como afirmou Nabuco em O abolicionismo: “Não é aos escravos que falamos, é aos livres”. Segundo as suas lideranças, o movimento deveria se restringir ao âmbito das elites e das classes médias urbanas [...]
[Roberto Ventura, Um Brasil mestiço: raça e cultura na passagem
da monarquia à república. Em: Carlos Guilherme Mota (org).
Viagem incompleta. A experiência brasileira.
Formação: histórias (1500-2000)]
A Sociedade Brasileira contra a Escravidão tem claras divergências em relação
- aos grupos que levaram a questão da luta pelo fim da escravidão para as senzalas, com a promoção de fugas e levantes, como os que ocorriam com a liderança de Antônio Bento.
- ao imperador Dom Pedro II, porque este se apresentava fora do país como um forte crítico da escravidão, mas impedia que uma maioria parlamentar fosse formada para se extinguir essa instituição.
- às classes médias urbanas, que consideravam desnecessária qualquer legislação para tratar do escravismo visto que as leis abolicionistas – Ventre Livre e Sexagenários – já haviam resolvido tal problema.
- aos deputados ligados aos grandes proprietários rurais do Nordeste, que eram contra qualquer legislação gradualista em combate à escravidão, porque consideravam que a abolição interessava apenas aos fazendeiros do vale do Paraíba.
- aos deputados liberais que defendiam que abolição da escravatura fosse feita com rapidez e associada a algumas medidas compensatórias, como a instrução escolar para os libertos.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A Sociedade Brasileira contra a Escravidão, liderada por figuras como Joaquim Nabuco, orientava sua atuação para as elites e classes médias urbanas, acreditando que a transformação precisava passar pela mobilização política e jurídica. Como disse Nabuco: “Não é aos escravos que falamos, é aos livres”.
Por isso havia claras divergências com grupos que atuavam diretamente nas senzalas, promovendo fugas e levantes sob liderança de Antônio Bento. Esses grupos praticavam uma ação direta para minar a viabilidade prática da escravidão, ao passo que a Sociedade privilegiava a pressão legal e estrutural sobre o Estado.
Em suma, a diferença central era tática e de base social: ambos visavam a abolição, mas com estratégias e públicos distintos.
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