Questão FC249034
A Guerra do Paraguai constitui um claro exemplo de como a História, sem ser arbitrária, é um trabalho de criação que pode servir a vários fins. Na versão tradicional da historiogra
História do Brasil
VUNESP · 2022
A Guerra do Paraguai constitui um claro exemplo de como a História, sem ser arbitrária, é um trabalho de criação que pode servir a vários fins. Na versão tradicional da historiografia brasileira, o conflito resultou da megalomania e dos planos expansionistas do ditador paraguaio Solano López.
Atravessando a fronteira, encontramos no Paraguai uma historiografia oposta. O conflito é aí visto como uma agressão de vizinhos poderosos a um pequeno país independente.
Nos últimos anos, a partir de historiadores como Francisco Doratioto e Ricardo Salles, surgiu uma nova explicação. Não se trata da última palavra no campo da História, mas de uma versão menos ideológica, mais coerente e bem apoiada em documentos.
(Boris Fausto, História do Brasil. Texto adaptado)
Sobre a “nova explicação” acerca da Guerra do Paraguai, é correto afirmar que ela
- associa a eclosão da guerra ao expansionismo territorial do Brasil, que visava dominar espaços argentinos, além da forte instabilidade político-institucional presente no Paraguai, onde as províncias não aceitavam a centralização política.
- mostra-se atenta às relações entre os países envolvidos no conflito, chamando a atenção para o processo de formação dos Estados nacionais da América Latina e da luta entre eles para assumir uma posição dominante no continente.
- reconhece que o conflito foi instigado por um conjunto de discursos nacionalistas presentes nas nações envolvidas na guerra, que se opunha aos interesses das nações industrializadas europeias, especialmente a França e a Grã-Bretanha.
- entende que o estopim do conflito foi o expansionismo territorial do Uruguai e de algumas províncias do interior da Argentina, pois eram regiões interessadas na reunificação do vice-reino do Prata e no fim da livre navegação no estuário do Prata.
- considera que a guerra decorreu da grave crise econômica, de abrangência quase mundial, da segunda metade do século XIX, que prejudicou muito as economias da América do Sul, dependentes do comércio internacional.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa B aponta que a «nova explicação» da Guerra do Paraguai privilegia as relações entre os países do Prata e o contexto regional, não uma causa única. Ela destaca o papel do processo de formação dos Estados nacionais e as tensões decorrentes dessa consolidação.
Segundo esse enfoque, o conflito emerge da disputa por hegemonia regional — controle de rotas fluviais, mercados e influência política — e de alinhamentos diplomáticos e econômicos entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Esses fatores estruturais ajudam a compreender por que países rivais se uniram contra o Paraguai.
Com base em pesquisa documental de historiadores como Francisco Doratioto e Ricardo Salles, essa leitura é mais integrada e menos ideológica, oferecendo uma explicação multifatorial e coerente do conflito.
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