Questão FC249065
Há uma história do tenentismo antes e depois de 1930. Os dois períodos dividem-se por uma diferença essencial. (Boris Fausto. História do Brasil. São Paulo. Editora da Universidade
História do Brasil
VUNESP · 2020
Há uma história do tenentismo antes e depois de 1930. Os dois períodos dividem-se por uma diferença essencial.
(Boris Fausto. História do Brasil. São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo/Fundação para o Desenvolvimento da Educação, 2000)
O tenentismo, antes e depois de 1930, respectivamente,
- esteve vinculado às ideias antiliberais dos anos 1920, o que explica a defesa de uma radical legislação de proteção ao trabalho; fez forte oposição ao Governo Provisório porque discordava da postura de Vargas em protelar a volta da constitucionalidade do país.
- organizava-se nacionalmente e teve participação central na eleição de Washington Luís em 1926; desprestigiado pela ordem surgida com a Revolução de 1930, agrupou-se no Partido Democrático, ficando sua força política restrita aos estados mais pobres do país.
- propunha uma reordenação política da nação por meio de um sistema eleitoral censitário; defendeu as políticas oriundas das forças oligárquicas alijadas do poder por meio da Revolução de 1930, o que justifica o apoio às forças paulistas no movimento de 1932.
- rebelou-se contra o Estado oligárquico, caso da Revolução de 1924, que tinha o objetivo de derrubar Artur Bernardes; teve participação no governo, com os “tenentes” assumindo interventorias nos estados, principalmente no Nordeste.
- demarcava com os princípios econômicos da socialdemocracia e tinha bastante clareza ideológica; participava ativamente da política até a instauração do Estado Novo e defendia que o Estado não deveria interferir na atividade econômica.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O tenentismo pré-1930 foi marcado por ações insurrecionais do jovem oficialato contra a ordem oligárquica da República Velha: eram movimentos políticos-militares que buscavam a renovação do regime e chegaram a conspirar e engajar-se em levantes, como a Revolta de 1924, cujo alvo imediato incluía a deposição do governo de Artur Bernardes.
Após 1930 houve mudança de papel: muitos tenentes passaram da rebelião para a administração, integrando o novo quadro de poder liderado por Getúlio Vargas.
Na prática isso significou a participação no governo por meio da nomeação de interventores nos estados — especialmente no Nordeste — consolidando centralização, promovendo reformas e substituindo as oligarquias regionais no aparelho estatal.
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