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Questão FC249110

Quando o general Ernesto Geisel toma posse na presidência da república (março de 1974), a esquerda orgânica estava praticamente a caminho da liquidação […] O regime, entretanto, va

História do Brasil

VUNESP · 2022

Quando o general Ernesto Geisel toma posse na presidência da república (março de 1974), a esquerda orgânica estava praticamente a caminho da liquidação […] O regime, entretanto, vai enfrentar graves problemas, que sintomatizam a sua crise profunda.

 

(José Paulo Netto, Em busca da contemporaneidade perdida: a esquerda brasileira pós-64. Em: Carlos Guilherme Mota. A experiência brasileira. A grande transação)

 

Essa “crise profunda”, segundo José Paulo Netto, manifestou- se por meio

  1. da oposição que uma ala militar, os chamados moderados, fazia ao presidente e pela grave crise econômica gerada pela introdução de um forte ajuste fiscal, que fez a inflação crescer e a economia paralisar.
  2. da aproximação entre grupos moderados da Arena e do MDB para exigir rapidez na abertura política e da grave crise econômica provocada pelo considerável desequilíbrio fiscal do governo federal.
  3. da promessa não cumprida pelo presidente de iniciar o processo de abertura política e pela forte recessão provocada pelo novo governo porque os investimentos públicos em infraestrutura foram cancelados.
  4. da incapacidade do governo em negociar com os trabalhadores, que voltaram a fazer manifestações e greves por aumento salariais, e a derrota eleitoral em 1974, que fez o MDB ter maioria no Congresso Nacional.
  5. da autonomização do aparato repressivo, que se constitui gradualmente em um poder paralelo, e o colapso do “milagre econômico”, que contribuiu para uma rápida erosão da legitimidade do regime.
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Gabarito

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Comentário do professor

A alternativa aponta duas manifestações centrais da “crise profunda”: a autonomização do aparato repressivo e o colapso do milagre econômico.

A autonomização significa que órgãos como DOI‑CODI e setores do SNI passaram a agir com relativa independência, formando um poder paralelo que contrariava decisões presidenciais e dificultava o controle político do processo de abertura.

Simultaneamente, o fim do milagre econômico — agravado pela crise internacional do petróleo, inflação crescente, endividamento externo e perda do dinamismo do crescimento — gerou desemprego e queda do poder de compra.

Esses dois fatores combinaram‑se para acelerar a erosão da legitimidade do regime, tornando insustentável a manutenção do autoritarismo nas formas então existentes.

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