FC ConcursosFC Concursos

Questão FC249143

O marco inaugural nas análises da cultura brasileira seria Casa Grande & Senzala, estampada em 1933. Fecho de um período do pensamento brasileiro, e início de outro, é [...] obra h

História do Brasil

VUNESP · 2019

O marco inaugural nas análises da cultura brasileira seria Casa Grande & Senzala, estampada em 1933. Fecho de um período do pensamento brasileiro, e início de outro, é [...] obra híbrida de tradição e inovação, em muitos pontos nostálgica de um Brasil que chegava ao fim – o de antes de 1930, visto por Gilberto Freyre de forma análoga à douceur de vivre que coloriu certas análises saudosistas do Antigo Regime francês.

 

[Laura de Mello e Souza, Aspectos da historiografia sobre o Brasil colonial.

Em Marcos Cezar de Freitas (org.). Historiografia brasileira em perspectiva]

 

 

Nas suas obras, Gilberto Freyre

  1. atribui o atraso econômico e cultural brasileiro ao longo processo de colonização portuguesa, que impôs o catolicismo, religião que pouco contribuiu para o desenvolvimento capitalista.
  2. reconhece que a fragilidade cultural brasileira é tributária da enorme influência das ordens religiosas, em especial dos jesuítas, que não valorizavam as práticas sociais das sociedades indígenas.
  3. condena vigorosamente a colonização com o uso da mão de obra escrava africana porque essa condição gerou um povo sem sentimentos de amor à terra natal e que desvaloriza a cultura europeia.
  4. associa as históricas dificuldades econômicas brasileiras ao formato da administração colonial portuguesa, marcada pela corrupção endêmica e pela atenção excessiva aos interesses do Estado.
  5. imputa ao sistema econômico organizado a partir da monocultura uma série de males, casos da aversão ao trabalho e da amoralidade, e vê a mestiçagem como benéfica ao Brasil.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Errado

Comentário do professor

Gilberto Freyre, em Casa-Grande & Senzala, analisa a sociedade colonial a partir da experiência da plantation — a monocultura exportadora baseada em trabalho escravo — e relaciona esse modelo a efeitos sociais duradouros.

Para Freyre, o sistema de monocultura cria relações de trabalho e de poder que favorecem a aversão ao trabalho (pela organização servil e pela economia de exploração) e uma certa amoralidade nas relações sociais, fruto das contradições e violências do regime escravocrata.

Ao mesmo tempo, ele valoriza a mestiçagem como força formadora: o convívio entre indígenas, africanos e europeus gerou sincretismo cultural, flexibilidade social e singularidade civilizatória que, para Freyre, são elementos positivos na constituição do Brasil.

Assim, a alternativa descreve corretamente a interpretação freyreana: reconhecimento dos males ligados à monocultura e valorização da mestiçagem como aporte benéfico à formação nacional.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo