Questão FC249146
Representando o auge do apresamento de cativo guarani, o surto bandeirante de 1620-41 relaciona-se muito mais ao desenvolvimento da economia do planalto do que – como a maioria dos
História do Brasil
VUNESP · 2022
Representando o auge do apresamento de cativo guarani, o surto bandeirante de 1620-41 relaciona-se muito mais ao desenvolvimento da economia do planalto do que – como a maioria dos historiadores paulistas tem colocado – à demanda por escravos no litoral açucareiro.
(John Manuel Monteiro, Negros da terra:
índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo:
Companhia das Letras, 1994, p. 76)
A partir do excerto, é correto considerar que
- as chamadas Guerras do Açúcar, assim como com o fortalecimento do quilombo de Palmares, tornaram os sertanistas de São Paulo os maiores fornecedores de mão de indígena escravizada para os engenhos de Pernambuco, com o intuito de substituir o escravizado africano.
- o ciclo do bandeirismo de apresar indígenas ao longo do sertão da capitania de São Vicente coincide a com construção de uma estrada ligando a capital da capitania com o porto de Santos, o que faz aumentar as exportações de trigo.
- ao longo da trajetória do bandeirismo, o grande objetivo desses homens vicentinos foi a busca por metais preciosos e, muito raramente, foram ao sertão em busca de indígenas para escravizar, porque as leis não permitiam.
- a versão convencional da historiografia brasileira de que as grandes expedições contra as reduções coincidiram com uma crise aguda de mão de obra no Nordeste açucareiro, em virtude das invasões holandesas, não se sustenta porque o apresamento dos indígenas tinha como objetivo central atender a economia paulista.
- o bandeirismo, uma experiência essencialmente paulista, teve seu auge na primeira metade do século XVIII em razão do apresamento indígena no interior do espaço colonial, embora essa atividade fosse de dimensão reduzida.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa D afirma que a explicação tradicional — de que as grandes expedições às reduções decorriam de uma crise de mão de obra no Nordeste açucareiro — não se sustenta, porque o apresamento de indígenas tinha como foco central a economia do planalto paulista.
Monteiro mostra que o auge do apresamento (1620–1641) responde à lógica interna do bandeirismo paulista: abastecer comunidades, ampliar a pecuária, mão de obra doméstica e controlar territórios, promovendo o desenvolvimento local.
Essa finalidade explica melhor a dinâmica das bandeiras do que a hipótese de que elas visavam apenas suprir déficits do litoral açucareiro.
Portanto, a alternativa D sintetiza corretamente a argumentação do excerto, deslocando a causa das expedições do litoral para as necessidades econômicas do próprio planalto.
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