Questão FC249157
A Odisseia choca-se com a questão do passado. Para perscrutar o futuro e o passado, recorre-se geralmente ao adivinho. Inspirado pela musa, o adivinho vê o antes e o além: circula
História Geral
VUNESP · 2019
A Odisseia choca-se com a questão do passado. Para perscrutar o futuro e o passado, recorre-se geralmente ao adivinho. Inspirado pela musa, o adivinho vê o antes e o além: circula entre os deuses e entre os homens, não todos os homens, mas os heróis, preferencialmente mortos gloriosamente em combate. Ao celebrar aqueles que passaram, ele forja o passado, mas um passado sem duração, acabado.
(François Hartog. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo, 2015. Adaptado.)
O texto afirma que a obra de Homero
- questiona as ações heroicas dos povos fundadores da Grécia Antiga, pois se baseia na concepção filosófica de physis.
- valoriza os mitos em que os gregos acreditavam e que estão no fundamento das concepções modernas de tempo e história.
- é fundadora da ideia de história, pois concebe o passado como um tempo que prossegue no presente e ensina os homens a aprenderem com seus erros.
- identifica uma forma do pensamento mítico e uma visão de passado estranha à ideia de diálogo entre temporalidades, que caracteriza a história.
- desenvolve uma abordagem crítica do passado e uma reflexão de caráter racionalista, semelhantes à da filosofia pré-socrática.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa correta indica que a obra de Homero representa uma configuração de pensamento mítico. Nessa perspectiva, o narrador — o aedo inspirado pela musa — revela o passado e o futuro como desígnios divinos, direcionados sobretudo aos heróis.
O texto enfatiza que esse passado não é entendido como um fluxo contínuo, mas como um passado acabado, fixo e sem duração própria. Não há aqui um processo de mediação crítica entre épocas.
Por isso, segundo Hartog, a narrativa homérica não estabelece o diálogo entre temporalidades que caracteriza a historicidade moderna — não se trata de reflexão sobre o passado a partir do presente, mas de uma celebração mitificada do que foi.
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