Questão FC249161
A Antiguidade greco-romana sempre constituiu um universo centralizado em cidades. O esplendor e a solidez da antiga polis helênica e da posterior república romana, que ofuscaram ta
História Geral
VUNESP · 2020
A Antiguidade greco-romana sempre constituiu um universo centralizado em cidades. O esplendor e a solidez da antiga polis helênica e da posterior república romana, que ofuscaram tantos períodos subsequentes, traduziam um nível de organização e cultura urbanas que jamais seria igualado em outro milênio. A filosofia, a ciência, a poesia, a história, a arquitetura, a escultura; o direito, a administração, a economia, os impostos; o voto, o debate, o recrutamento – tudo isso chegou a níveis de sofisticação e força inigualáveis. Ao mesmo tempo, esse friso de civilização citadina teve sempre algo do efeito de uma fachada trompe l’oeil sobre sua posteridade.
(Perry Anderson, Passagens da Antiguidade ao feudalismo)
O tal engano, citado por Anderson, trata da
- recorrente e generalizada fome gerada nas cidades antigas porque havia poucos produtores no campo.
- riqueza material sustentadora da vitalidade intelectual e cívica do espaço urbano, que era extraída, em grande parte, do campo.
- ausência de técnicas e conhecimentos que estivessem efetivamente relacionados com a produção de riquezas.
- inadequação das forças produtivas dos povos da Antiguidade Clássica com as suas concepções filosóficas.
- separação entre a dimensão religiosa e as outras esferas humanas, condição necessária para o esplendor urbano.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa indica que o “engano” apontado por Anderson é acreditar que o brilho urbano era autossuficiente, quando na realidade sua riqueza material vinha majoritariamente do campo.
As cidades clássicas — a polis grega e a cidade romana — exibiam intensa vida intelectual e política, mas essa vitalidade intelectual e cívica repousava sobre excedentes agrícolas, tributos e comércio rural.
Esses recursos eram produzidos em terras circunvizinhas, frequentemente por trabalho escravo ou por populações rurais sem acesso à cidadania, o que tornava invisível à visão urbana a real base material.
Assim, o autor chama de ilusão a impressão de que a cidade, em suas instituições e cultura, fosse totalmente autogerada, quando dependia estruturalmente do campo.
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