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Questão FC249161

A Antiguidade greco-romana sempre constituiu um universo centralizado em cidades. O esplendor e a solidez da antiga polis helênica e da posterior república romana, que ofuscaram ta

História Geral

VUNESP · 2020

A Antiguidade greco-romana sempre constituiu um universo centralizado em cidades. O esplendor e a solidez da antiga polis helênica e da posterior república romana, que ofuscaram tantos períodos subsequentes, traduziam um nível de organização e cultura urbanas que jamais seria igualado em outro milênio. A filosofia, a ciência, a poesia, a história, a arquitetura, a escultura; o direito, a administração, a economia, os impostos; o voto, o debate, o recrutamento – tudo isso chegou a níveis de sofisticação e força inigualáveis. Ao mesmo tempo, esse friso de civilização citadina teve sempre algo do efeito de uma fachada trompe l’oeil sobre sua posteridade.

 

(Perry Anderson, Passagens da Antiguidade ao feudalismo)

 

O tal engano, citado por Anderson, trata da

  1. recorrente e generalizada fome gerada nas cidades antigas porque havia poucos produtores no campo.
  2. riqueza material sustentadora da vitalidade intelectual e cívica do espaço urbano, que era extraída, em grande parte, do campo.
  3. ausência de técnicas e conhecimentos que estivessem efetivamente relacionados com a produção de riquezas.
  4. inadequação das forças produtivas dos povos da Antiguidade Clássica com as suas concepções filosóficas.
  5. separação entre a dimensão religiosa e as outras esferas humanas, condição necessária para o esplendor urbano.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa indica que o “engano” apontado por Anderson é acreditar que o brilho urbano era autossuficiente, quando na realidade sua riqueza material vinha majoritariamente do campo.

As cidades clássicas — a polis grega e a cidade romana — exibiam intensa vida intelectual e política, mas essa vitalidade intelectual e cívica repousava sobre excedentes agrícolas, tributos e comércio rural.

Esses recursos eram produzidos em terras circunvizinhas, frequentemente por trabalho escravo ou por populações rurais sem acesso à cidadania, o que tornava invisível à visão urbana a real base material.

Assim, o autor chama de ilusão a impressão de que a cidade, em suas instituições e cultura, fosse totalmente autogerada, quando dependia estruturalmente do campo.

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