Questão FC249166
O senhor feudal [...] muitas vezes seria vassalo de um outro senhor feudal superior, e a cadeia de tais posses dependentes se estenderia até o cume do sistema – na maioria dos caso
História Geral
VUNESP · 2023
O senhor feudal [...] muitas vezes seria vassalo de um outro senhor feudal superior, e a cadeia de tais posses dependentes se estenderia até o cume do sistema – na maioria dos casos, um monarca – de quem a princípio toda a terra, em última instância, seria o eminente domínio. Típicas ligações intermediárias de tal hierarquia feudal no início dessa época, entre o simples senhorio e o monarca, suserano, eram a castelania, o baronato, o condado ou o principado.
(Perry Anderson, Passagens da Antiguidade ao feudalismo.)
Segundo Perry Anderson, deste sistema decorre que
- a soberania política nunca estava enfocada num único centro e sendo que as funções do Estado desagregavam-se em concessões verticais sucessivas, e, a cada nível, estavam integradas as relações econômicas e políticas.
- importantes cidades mercantis foram formadas em torno dos mares do Norte e Mediterrâneo, todas controladas pelos reis, além de contarem com a administração de uma nobreza aburguesada.
- a Igreja ficou fragilizada como instituição capaz de abarcar o poder temporal sobre a Europa Ocidental, ainda que mantivesse o poder espiritual sobre os nomarcas convertidos ao cristianismo.
- passou por um processo de afrouxamento a organização social baseada em estamentos, porque estes tornam-se porosos com a entrada, por meio do casamento, de burgueses em tradicionais linhagens nobiliárquicas.
- o poder político e econômico concentrou-se nas mãos de um rei, porque, na prática, todas as decisões mais importantes de cada região europeia passavam pela anuência do rei ou de seu representante legal.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa ressalta que, no feudalismo, a soberania política não estava concentrada num único centro: o poder real coexistia com múltiplos centros locais.
Isso ocorria porque a vassalagem formava uma cadeia de dependências: um senhor podia ser vassalo de outro e assim por diante até o suserano ou monarca.
Desse modo, as funções de governo eram desagregadas em concessões verticais sucessivas — delegações de autoridade e privilégios incorporados à posse da terra.
Em cada nível, as decisões combinavam dimensões econômicas (renda, terra, obrigações) e políticas (jurisdição, serviço militar), integrando relações econômicas e políticas.
Na prática, isso produzia uma autoridade relacional e fragmentada: o monarca era titular último, mas o exercício efetivo do poder dependia das redes locais de dependência.
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