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Questão FC249169

As funções do Estado desagregavam-se em concessões verticais sucessivas, e a cada nível estavam integradas as relações econômicas e políticas. Essa parcelarização da soberania seri

História Geral

VUNESP · 2022

As funções do Estado desagregavam-se em concessões verticais sucessivas, e a cada nível estavam integradas as relações econômicas e políticas. Essa parcelarização da soberania seria constitutiva de todo o modo de produção feudal.

 

Decorriam dela três características estruturais do feudalismo ocidental, todas de importância fundamental em sua dinâmica.

 

(Perry Anderson, Passagens da Antiguidade ao feudalismo)

 

Entre essas “três características estruturais do feudalismo ocidental”, é correto apontar para

  1. o fenômeno das cidades modelares medievais na Europa Ocidental, que praticavam o comércio e as manufaturas e eram comunidades autogovernadas, tendo uma autonomia incorporada política e militar isolada da Igreja e da nobreza.
  2. a incompatibilidade da existência de terras aldeãs comunais e lotes camponeses alodiais, próprios do modo de produção pré-feudal, e a supressão do trabalho livre e do escravo, com a generalização das relações servis de produção.
  3. a constituição da soberania política do monarca baseada na tradição e na arrecadação de tributos em escala nacional, ainda que a maior parte dos rendimentos reais advinha da exploração dos seus domínios.
  4. a existência de uma burocracia numerosa e complexa espalhada pela Europa, que tinha a presença de nobres e de homens livres sem domínios feudais, possuidora de amplos poderes espirituais e seculares.
  5. a universalização das relações de suserania e vassalagem, que envolveu todos os estamentos e foi fundamental para a manutenção do poder absoluto do rei em várias regiões europeias, como na França e na Inglaterra.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa aponta corretamente para o papel das cidades modelares medievais como uma das consequências da parcelarização da soberania. Num espaço onde o poder estava dividido entre senhores locais, surgiram núcleos urbanos capazes de funcionar autonomamente.

Essas cidades concentravam comércio e manufaturas, organizavam-se em comunas e obtinham cartas de privilégios que garantiam autogoverno, justiça própria e isenções fiscais.

Essa autonomia não era apenas administrativa: muitas cidades mantinham milícias e defesas próprias e instituições corporativas (guildas), o que as separava concretamente do controle direto da Igreja e da nobreza.

Portanto, a existência dessas cidades é expressão direta da estrutura feudal descrita por Anderson: poder fragmentado que favoreceu espaços urbanos com autonomia política, econômica e militar.

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