Questão FC249182
. Apesar das inegáveis diferenças locais, temporais e sociais ao se considerar o conjunto dos vários séculos medievais em todo o Ocidente, pode-se falar em estruturas cotidianas. A
História Geral
VUNESP · 2020
. Apesar das inegáveis diferenças locais, temporais e sociais ao se considerar o conjunto dos vários séculos medievais em todo o Ocidente, pode-se falar em estruturas cotidianas. Ao menos nas de caráter psicobiológico. Estruturas muito semelhantes às de outras épocas e locais, mas que ganham todo seu sentido apenas se conectadas com as demais estruturas do contexto medieval. Consideramos aqui sete delas – a percepção do tempo, o sexo, a alimentação, a moradia, o vestuário, o lazer, a morte.
(Hilário Franco Júnior, A Idade Média, nascimento do ocidente)
Sobre essas estruturas cotidianas medievais, segundo Franco Júnior, é correto afirmar que
- inexistiam diferenças entre as formas alimentares da aristocracia, da burguesia e dos camponeses e privilegiava-se o consumo de legumes e verduras, pois havia restrições religiosas ao consumo de carnes.
- a morte incomodava todos os setores do Mundo Medieval, porque esta era considerada uma manifestação da ira divina, que abreviava a vida dos sujeitos como castigo pelos recorrentes pecados.
- as poucas práticas de lazer eram defendidas e efetivadas pelo clero, que considerava o ócio uma forma de servir a Deus, enquanto estava vedada aos camponeses qualquer forma de atividade que não fosse o trabalho.
- a experiência dos medievais sobre o tempo mostrava um desinteresse por uma clara e uniforme quantificação deste, ainda que o clero, por necessidades litúrgicas, tivesse estabelecido um controle maior sobre as horas.
- a sexualidade, assim como na Antiguidade clássica, manteve-se como uma atividade marcada pelo foro pessoal e não esteve entre as práticas sociais controladas pela Igreja e pelas estruturas senhoriais.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente que a Idade Média não buscava uma quantificação do tempo com a uniformidade moderna. O dia e a noite eram cada um divididos em doze horas cuja duração variava conforme a estação, tornando a noção de hora pouco fixa.
Intervalos curtos — segundos — eram ignorados; minutos eram pouco utilizados; as horas eram avaliadas de forma grosseira por velas, ampulhetas, clepsidras e observação solar. Apenas no século XIV surge o relógio mecânico, inicialmente com apenas o ponteiro das horas.
O clero foi exceção: por exigências litúrgicas organizou um controle maior do tempo, marcando as horas litúrgicas (por exemplo, matinas, laudes, prima, terça, sexta, nona, vésperas, completas) para a celebração dos ofícios.
Essa relação pouco cronômetra refletia uma necessidade social distinta, não um déficit técnico.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em