Questão FC249191
(Kenneth Maxwell, Por que o Brasil foi diferente?
História Geral
VUNESP · 2023
O Brasil tinha no momento de sua independência de Portugal, 322 anos de existência; e vale notar, no ano 2000 sua experiência enquanto nação independente da dominação formal europeia ainda será mais curta do que o período em que esteve sob dominação colonial.
(Kenneth Maxwell, Por que o Brasil foi diferente?
O contexto da independência. Em: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem incompleta. A experiência brasileira (1500-2000). Formação: histórias)
Para Maxwell, o impacto provocado pelas nações ibéricas nas Américas
- foi gradativamente sendo reelaborada pelas instituições políticas e culturais criadas com as independências nacionais americanas, o que explica a pequena influência das nações ibéricas nas sociedades atuais na América Latina.
- foi mais profundo e permanente do que foi o impacto dos europeus sobre outras sociedades mais antigas do Oriente Médio até a China, onde as populações e estruturas sociais não foram destruídas do mesmo modo como ocorreu com as antigas civilizações pré- -colombianas.
- foi maior logo após as independências, contexto no qual as colonizações ibéricas eram valorizadas pelas elites culturais latino-americanas e, somente a partir de meados do século XX, a presença colonial passou a ser analisada como perversa.
- foi tão intenso que - assim como ocorreu em domínios neocoloniais na África e na Ásia, ao longo dos séculos XIX e XX - as tradições dos povos originários americanos foram aniquiladas, a ponto de as sociedades americanas contemporâneas serem essencialmente europeias.
- foi efêmero, apesar do forte lapso temporal, porque as instituições europeias não puderam ser implantadas plenamente da América, pois a sobrevivência dos colonizadores dependia do uso das tradições dos povos nativos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Maxwell argumenta que o impacto das nações ibéricas nas Américas foi particularmente profundo porque, diferentemente de regiões como Oriente Médio ou China, ali houve a destruição e o colapso demográfico de sociedades pré-colombianas, o que facilitou transformações radicais.
Essa ruptura provocou substituições culturais e institucionais: adoção massiva das línguas ibéricas, do catolicismo, de modelos jurídicos e administrativos e de formas econômicas como o latifúndio e a economia escravagista.
O resultado foi uma marca duradoura na organização social, política e cultural da região, explicando por que a experiência pós-colonial na América Latina permaneceu mais curta em relação ao longo domínio colonial e com efeitos mais permanentes.
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