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Questão FC249198

Como jurisconsulto, não pretendo tratar da natureza da servidão, nem da qualidade do domínio que o homem adquire sobre seu semelhante. Pretendo defender os nossos colonos da reprov

História Geral

VUNESP · 2022

Como jurisconsulto, não pretendo tratar da natureza da servidão, nem da qualidade do domínio que o homem adquire sobre seu semelhante. Pretendo defender os nossos colonos da reprovação, que muitas pessoas, mais piedosas que sábias, lhes fazem, afirmando que eles tratam cristãos como escravos, comprando-os, vendendo-os e deles dispondo em territórios regidos pelas leis da França, um país que abomina a servidão acima de todas as nações do mundo. Todos os escravos que desembarcam na França recuperam felizmente a liberdade perdida.

 

(Jean-Baptiste Du Tertre. Apud: Rafael de Bivar Marquese. Feitores do corpo, missionários da mente: Senhores, letrados e o controle dos escravos nas Américas, 1660-1860, 2004. Adaptado.)

 

O excerto, publicado na década de 1660 por um padre dominicano após ter vivido quase duas décadas em colônias francesas na América,

  1. propõe conjugar a fé com a razão e aplica os princípios da escolástica à análise da condição dos escravos.
  2. confirma a predominância dos valores morais cristãos como baliza para a definição da política colonial.
  3. reproduz princípios do pensamento de Voltaire e sustenta o valor universal da liberdade de natureza.
  4. estabelece uma diferenciação entre o respeito à liberdade no território francês e nas possessões coloniais.
  5. endossa a crítica de Rousseau às desigualdades de origem e defende a abolição da escravidão em todo o império francês.
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Gabarito

D

Comentário do professor

O excerto enfatiza uma distinção entre o tratamento dado à liberdade dentro do território francês e nas possessões coloniais.


O autor afirma que a França “abomina a servidão” e que “todos os escravos que desembarcam na França recuperam felizmente a liberdade perdida”, o que ressalta o respeito nominal à liberdade no metropole.


Ao mesmo tempo, ele defende os colonos que compram e vendem pessoas nas colônias, indicando que essa prática é tolerada ou justificada fora da França continental.


Essa oposição revela uma diferença jurídica e prática: direitos proclamados na metrópole nem sempre se aplicam ou são efetivados nas colônias, expondo uma contradição entre discurso legal e realidade colonial.

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