Questão FC249206
A escravidão moderna caracterizou-se por trazer à tona uma realidade nova ao já secular comércio de escravos ocorrido no continente africano. (Lilia Schwarcz e Heloísa Starling. Br
História Geral
VUNESP · 2020
A escravidão moderna caracterizou-se por trazer à tona uma realidade nova ao já secular comércio de escravos ocorrido no continente africano.
(Lilia Schwarcz e Heloísa Starling. Brasil: uma biografia. 1. ed. São Paulo: Cia das Letras, 2015)
De acordo com as autoras, na obra Brasil: uma biografia, a referida nova realidade consiste
- no modo como os reinos africanos constituídos se fortaleceram em alianças internas, após a influência europeia pressioná-los a aderir às alianças de benefício unilateral, que exaltavam a presença europeia no continente africano.
- na conquista rápida e efetiva dos reinos tribais africanos pelas forças expedicionárias lusitanas, a fim de monopolizar o comércio de escravos para a América, interrompendo, assim, o fluxo de tráfico escravista para o oriente médio e tornando os portugueses os maiores comerciantes de gente do período.
- na mudança de escala do comércio de africanos escravizados, tanto no que se refere ao volume de cativos, quanto no emprego crescente da violência. Isso alterou a dinâmica de guerras e das redes de relacionamento internas dos estados africanos.
- no fim das hostilidades entre europeus e africanos, com relação à religiosidade e à adoção do cristianismo por parte de alguns reinos, na lucratividade e na monopolização do trabalho escravizado, bem como do comércio que o sustentava, gerando assim cisões irreversíveis na diplomacia entre os continentes.
- no esvaziamento do comércio de escravos na costa atlântica em detrimento de uma intensificação das rotas de comércio de escravos estabelecidas entre os reinos africanos e o mundo muçulmano, configurando- se este último na maior expressão do escravismo moderno.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A escravidão moderna trouxe uma mudança de escala no comércio de africanos: o aumento massivo da demanda das Américas transformou capturados em mercadoria em larga escala e elevou o número de cativos traficados.
Ao mesmo tempo houve um emprego crescente da violência: incursões, sequestros e uso de força organizada tornaram-se rotina, com intensificação de massacres e práticas desumanas visando o mercado.
Esses processos alteraram a dinâmica de guerras em várias regiões: conflitos passaram a visar captura de pessoas para venda, surgiram lideranças e exércitos especializados e o armamento mudou a lógica bélica.
Igualmente, as redes de relacionamento internas foram reconfiguradas — alianças, hierarquias e economias locais se transformaram, gerando desagregação social, deslocamentos e dependência de circuitos comerciais externos.
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