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Questão FC249210

Nas histórias da colonização, de modo geral, opõe-se o caso de Portugal, com suas feitorias, ao da Espanha, dotada de um verdadeiro império territorial. A oposição, sem dúvida, pod

História Geral

VUNESP · 2019

Nas histórias da colonização, de modo geral, opõe-se o caso de Portugal, com suas feitorias, ao da Espanha, dotada de um verdadeiro império territorial. A oposição, sem dúvida, pode ter existido, mas falta a verdadeira explicação, pois no Brasil foi de fato um império territorial que os portugueses erigiram.

 

(Marc Ferro, História das colonizações – Das conquistas às

independências – século XIII a XX)

 

A “verdadeira explicação”, para Marc Ferro, consiste em

  1. reconhecer que no Brasil os conquistadores enfrentaram tribos dispersas e, na África negra, os povos do Mali e do Congo, por exemplo, impediram a instalação dos portugueses.
  2. apreender as características do Estado português desde o século XIV, no qual a decisiva dependência do poder econômico da burguesia o obrigava a fazer investimentos voltados à produção de manufaturas.
  3. perceber a prioridade da Coroa portuguesa oferecida aos seus domínios ultramarinos, que se materializava em transferir a maior parte da população rural do país para tais domínios.
  4. dimensionar que a construção de um imenso império colonial foi motivada por uma leitura religiosa da realidade e, assim, o que mais interessada aos portugueses era converter os nativos ao cristianismo.
  5. compreender a essência da exploração colonial portuguesa, caracterizada pelos investimentos em atividades agroindustriais e com forte aversão às trocas mercantis e à busca de metais preciosos.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Para Marc Ferro, a “verdadeira explicação” é que a forma de ocupação portuguesa foi determinada pelas condições locais: a fragmentação social no Brasil e a existência de estados centralizados na África.

No Brasil, povos indígenas viviam dispersos em vasto território, sem estruturas estatais unificadas; essa fragmentação facilitou a ocupação territorial, a implantação de povoamentos e da monocultura, permitindo aos portugueses ampliar controle sobre o espaço.

Já em regiões da África como Mali e Congo havia reinos organizados, com autoridades, exércitos e redes comerciais capazes de resistir e negociar sob termos próprios; isso limitou a presença portuguesa a postos comerciais e alianças, dificultando a instalação de um domínio territorial contínuo.

Portanto, Ferro atribui a diferença não à vontade exclusiva da metrópole, mas às distintas estruturas sociais e políticas locais.

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