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Questão FC249217

As reflexões sobre o absolutismo eram todas mais ou menos casuais e alusivas: uma teorização direta das novas monarquias centralizadas que emergiam na Europa renascentista nunca fo

História Geral

VUNESP · 2023

As reflexões sobre o absolutismo eram todas mais ou menos casuais e alusivas: uma teorização direta das novas monarquias centralizadas que emergiam na Europa renascentista nunca foi efetuada por nenhum dos fundadores do materialismo histórico. A sua importância exata foi deixada ao juízo das gerações posteriores. Com efeito, os historiadores marxistas debatem até hoje o problema da natureza social do absolutismo. A solução correta é, na verdade, vital para compreensão da passagem do feudalismo para o capitalismo na Europa, e dos sistemas políticos que a diferenciaram.

 

(Perry Anderson, Linhagens do Estado absolutista. Texto adaptado)

 

Ao analisar a natureza social do absolutismo, Anderson compreende que

  1. durante toda a fase inicial da época moderna, a classe dominante era a mesma da época medieval, ou seja, a aristocracia feudal.
  2. desde o século XVII, as nações europeias são dirigidas por soberanos absolutistas que governam em nome dos interesses das suas burguesias.
  3. ao longo da Idade Moderna, houve um equilíbrio entre os poderes da nobreza, classe decadente, e a burguesia comercial, classe ascendente.
  4. no decorrer do século XVI, a nobreza foi perdendo espaço político para a burguesia enriquecida com a exploração colonial e o tráfico negreiro.
  5. no Mundo Moderno, a ascensão econômica e o prestígio social da burguesia foram essenciais para que essa classe tivesse o poder político.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Anderson sustenta que, na fase inicial da época moderna, a classe dominante permaneceu a aristocracia feudal, herdeira do poder medieval.

O Estado absolutista aparece, nessa leitura, como um mecanismo que preservou privilégios senhoriais e administrou conflitos sociais, sem promover uma transferência imediata de autoridade para a burguesia.

Embora o comércio e a acumulação capitalista tenham fortalecido economicamente setores burgueses, isso não significou, segundo Anderson, o rompimento instantâneo da hegemonia aristocrática no plano político.

Essa interpretação é importante porque explica por que a transição do feudalismo para o capitalismo foi longa e conflituosa: o absolutismo retardou a conversão do poder econômico em poder estatal.

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