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Questão FC249218

A história do absolutismo tem múltiplos e sobrepostos pontos de partida e pontos finais díspares e escalonados. A sua unidade subjacente é real e profunda, mas não é a de um contin

História Geral

VUNESP · 2022

A história do absolutismo tem múltiplos e sobrepostos pontos de partida e pontos finais díspares e escalonados. A sua unidade subjacente é real e profunda, mas não é a de um continuum linear. A complexa duração do absolutismo europeu, com suas múltiplas rupturas e deslocamentos de região para região, determina neste estudo a apresentação do material histórico.

 

(Perry Anderson, Linhagens do Estado absolutista)

 

Tal “complexa duração do absolutismo europeu”, segundo Anderson, pode ser verificada por meio

  1. da persistência do absolutismo inglês ao longo do século XVIII, com o poder progressivamente maior dos soberanos, ao mesmo tempo em que na França há ações de liberalismo político desde o século XVI.
  2. da existência e do pleno funcionamento de um parlamento no Império Russo desde o século XVII, a Duma, e a inexistência de qualquer forma de consulta à sociedade prussiana até meados do século XIX.
  3. da decisiva influência da Bill of Rights sobre todas as monarquias absolutistas da Europa, que na primeira metade do século XVIII enveredaram para programas radicais de reformas econômicas e sociais.
  4. das organizações do absolutismo em Portugal e na Espanha, países em que a direção do Estado, desde o século XVI, encontrava-se com a burguesia e com as classes médias urbanas.
  5. da comparação entre o absolutismo espanhol, que sofreu a sua primeira grande derrota em meados do século XVI, nos Países Baixos, e o absolutismo russo, derrubado apenas no século XX.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Segundo Perry Anderson, a ideia de “complexa duração” do absolutismo fica clara quando comparamos trajetórias regionais distintas.
Essa comparação evidencia que o fenômeno não segue um cronograma único, mas se desdobra de formas variadas em lugares diferentes.

No caso do absolutismo espanhol, já no final do século XVI houve uma crise decisiva nos Países Baixos (a Revolta / Guerra dos Oitenta Anos), que sinalizou a primeira grande derrota das pretensões absolutistas espanholas.
Isso mostra uma erosão precoce do poder central em certas regiões.

Em contraste, o absolutismo russo manteve-se praticamente intacto até o início do século XX, sendo derrubado pela Revolução Russa (1917).
Essa disparidade temporal — séculos distintos de declínio — ilustra a variação regional e temporal ressaltada por Anderson.

Portanto, a comparação entre esses dois casos exemplifica a multiplicidade de inícios e fins do absolutismo europeu.

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