Questão FC249222
Segundo o autor, qual era “o paradoxo aparente do absolutismo na Europa ocidental”?
História Geral
VUNESP · 2019
Segundo Perry Anderson, no livro Linhagens do estado absolutista, “a burguesia no Ocidente já era forte o bastante para deixar a sua marca indistinta, no Estado, sob o absolutismo. Com efeito, o paradoxo aparente do absolutismo na Europa ocidental era que ele representava fundamentalmente um aparelho para a proteção da propriedade e dos privilégios aristocráticos, embora, ao mesmo tempo, os meios através dos quais tal proteção era promovida pudessem simultaneamente assegurar os interesses básicos das classes mercantis e manufatureiras emergentes.”
Segundo o autor, qual era “o paradoxo aparente do absolutismo na Europa ocidental”?
- Incentivando o cercamento das terras para produção de lã, a monarquia pouco se esforçou para criar sistemas jurídicos uniformes e favoráveis à aristocracia, apesar de incentivar a nobreza a investir seus recursos no sistema manufatureiro.
- Sem romper plenamente com a ordem agrária feudal, a monarquia, no esforço de se fortalecer acumulando riqueza, centralizou a economia e incentivou o comércio, garantindo apoio tanto à aristocracia quanto à burguesia emergente.
- Mesmo ampliando o controle das barreiras de comércio nas fronteiras dos reinos, a monarquia manteve alianças com a burguesia e a nobreza estrangeira e favoreceu a economia de mercado ao taxar a produção de subsistência em seu território.
- Ao mesmo tempo em que estimulou alianças econômicas entre a aristocracia e a burguesia, a monarquia descentralizou a economia, cumprindo funções necessárias para a acumulação primitiva de capital, garantindo o triunfo do capitalismo.
- Assegurando fornecimento de alimentos e mercadorias para o mercado interno, a monarquia absolutista distinguiu modelos de propriedade, regulamentando terras coletivas para domínio da aristocracia e terras privadas para a burguesia manufatureira.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O paradoxo apontado por Perry Anderson é que o Estado absolutista simultaneamente conservou a estrutura agrária feudal e colocou em prática medidas que favoreciam o desenvolvimento comercial e manufatureiro.
Por um lado, a monarquia manteve a proteção da propriedade e os privilégios da aristocracia, garantindo sua posição social e econômica. Por outro, promoveu a centralização política e administrativa — unificação legal, monetária e regulatória — que criou condições estáveis para o comércio e a acumulação de capital.
Assim, sem destruir o sistema feudal fundiário, o Estado fortaleceu-se ao mesmo tempo que abriu espaço institucional para que a burguesia emergente consolidasse atividades mercantis e manufatureiras, alinhando interesses distintos em benefício da ordem absolutista.
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