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Questão FC249235

Causou surpresa, portanto, quando foi decifrada a Pedra de Roseta, no século XVIII, e ficou evidente que praticamente todo o conhecimento científico e filosófico da Grécia antiga t

História Geral

VUNESP · 2023

Causou surpresa, portanto, quando foi decifrada a Pedra de Roseta, no século XVIII, e ficou evidente que praticamente todo o conhecimento científico e filosófico da Grécia antiga teve origem no Egito, ou seja, na própria África. Os sistemas teológicos e filosóficos gregos também têm origem no Egito, onde vários de seus fundadores, como Sócrates, Platão e Aristóteles, estudaram com os pensadores africanos.

 

Não seria conveniente, naquele contexto, divulgar tais fatos. Criou-se, então, uma disciplina científica, a egiptologia, voltada à tarefa de tirar do Egito o crédito por suas realizações e atribuí-las a uma cultura realmente branca, a grega. Aliás, os autores lançaram mão de vários recursos, entre eles o de retratar o Egito como um país branco, imagem que até hoje prevalece no imaginário popular.

 

(Elisa Larkin Nascimento. Introdução às antigas civilizações africanas.

Em: Elisa Larkin Nascimento (org.). A matriz africana no mundo. Adaptado)

 

De acordo com a autora, o inconveniente de divulgar a importância do país africano, no contexto em referência, deve-se ao fato de a Europa

  1. considerar que as fontes, até então identificadas, pouco confiáveis do ponto de vista científico.
  2. fundamentar a ética da escravidão na hipótese da inferioridade congênita dos africanos.
  3. alimentar perspectivas de comércio com países africanos alinhados aos diferentes blocos da Guerra Fria.
  4. possuir uma metodologia de pesquisa histórica diferenciada daquelas utilizadas pelos países africanos.
  5. buscar ampliar os conceitos de documento e cultura, para além das fontes escritas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Ao decifrar a Pedra de Roseta, tornou-se claro que muitos saberes atribuídos à Grécia tinham origem no Egito; divulgar isso ameaçaria narrativas raciais europeias.

Por isso, a criação da egiptologia cumpriu papel ideológico: negar ou transferir o crédito egípcio para a Grécia, preservando a ideia de superioridade branca.

Essa estratégia visava sustentar a hipótese da inferioridade congênita dos africanos, fundamento usado para justificar a escravidão e outras práticas coloniais.

Assim, ocultar ou reescrever a origem dos conhecimentos cumpria função política: proteger uma ordem social baseada em hierarquias raciais.

Em suma, a divulgação seria inconveniente porque desmontaria o argumento central que legitimava a exploração e dominação dos povos africanos.

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