Questão FC249245
“... Todos os habitantes das aldeias... transportaram-se tumultuosamente, em número aproximado de 500 a 600 pessoas, à dita abadia... Entraram em chusma na câmara do dito Reverendo
História Geral
VUNESP · 2019
“... Todos os habitantes das aldeias... transportaram-se tumultuosamente, em número aproximado de 500 a 600 pessoas, à dita abadia... Entraram em chusma na câmara do dito Reverendo Dom Prior... em seguida entraram nos arquivos donde tiraram todos os títulos e papéis, mesmo os livros de contas e outros atos que encontraram nos apartamentos dos Reverendos Dom Prior e Sub-Prior; transportaram tudo para o pátio da abadia, onde os amontoaram e forçaram os dois últimos e o dito Reverendo Dom Demolire a deitar-lhes fogo e imediatamente os ditos títulos e papéis foram inteiramente consumidos... No dia seguinte, retiraram-se com ameaças... de excessos mais terríveis que os primeiros... “– Revolução no Ain, 1789. (Apud Freitas, G. de. 900 textos e documentos de História).
Os acontecimentos descritos no documento fazem referência
- ao ataque aos domínios eclesiásticos onde estavam guardados os documentos das negociações internacionais dos ministros de Estado do rei Luís XIV.
- ao movimento de negação do calendário do antigo regime, comprometido com os interesses da igreja, iniciando o movimento da criação do novo calendário republicano.
- à radicalização política na França e início da fase do terror, a partir da coligação entre camponeses, exército e adversários políticos da monarquia.
- à queima dos títulos de propriedades feudais, com o objetivo de anular o poder de justificar direitos senhoriais e os camponeses pudessem ficar livres.
- ao movimento incontrolável, violento e espontâneo dos artesãos de ofício das aldeias, para por fim aos inúmeros impostos cobrados pela igreja.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O trecho relata a invasão de arquivos de uma abadia e a destruição dos papéis, caracterizando a ação conhecida como queima dos títulos durante a Revolução Francesa de 1789.
Esses títulos registravam direitos e obrigações feudais — rendas, servidões e reivindicações senhoriais — cuja existência legitimava a dominação aristocrática. Ao queimá‑los, os camponeses visavam anular a prova documental que permitia aos senhores cobrar tributos e impor serviços.
A destruição teve efeito prático e simbólico: além de dificultar legalmente qualquer reivindicação posterior, atacava as bases do Antigo Regime e afirmava a busca por autonomia rural.
Portanto, a ação descrita objetivou exatamente enfraquecer os direitos senhoriais para que os camponeses pudessem ficar livres.
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