FC ConcursosFC Concursos

Questão FC249247

O mestre-de-campo Inácio Corrêa Pamplona, “bruto e rústico”, conhecedor, provável partícipe e denunciante dos planos inconfidentes, tal e qual um Brancaleone dos trópicos, levava c

História Geral

VUNESP · 2022

O mestre-de-campo Inácio Corrêa Pamplona, “bruto e rústico”, conhecedor, provável partícipe e denunciante dos planos inconfidentes, tal e qual um Brancaleone dos trópicos, levava consigo, nas expedições contra os quilombolas, músicos, poetas populares e clérigos. Às barbaridades provavelmente cometidas por seus homens na caça ao “negro fugido”, expressas na extração de alguns “pares de orelhas” como indicadores do êxito da empreitada, sucediam-se sessões de declamação poética, recitais de música e orações que procuravam exaltar os propósitos civilizadores da expedição.

[…]

Tomás Antônio Gonzaga, outrora poderoso ouvidor de Vila Rica, mesmo ocupado com os poemas à sua doce Marília de Dirceu e, provavelmente na segunda metade da década de 1780 já às voltas com “pasquins” e “conspirações literárias” traduzidas na publicação das Cartas Chilenas, não deixaria de encontrar tempo para exercer com certo zelo alguns de seus afazeres de ministro da casa real portuguesa e de ter, assim, obtido a desafeição do Tiradentes, que se queixara dos excessos e “prepotências” do poeta a D. Luís da Cunha Meneses, o tristemente célebre “Fanfarrão Minésio” das mesmas cartas.

 

(João Pinto Furtado, Imaginando a nação: o ensino da história da Inconfidência Mineira na perspectiva da crítica historiográfica. Em: Lana Mara de Castro Siman e Thaís Nívia de Lima e Fonseca (org.), Inaugurando a História e construindo a nação; discursos e imagens no ensino de História)

 

Os perfis desses dois personagens ligados à Inconfidência Mineira colaboram para a compreensão deste evento como

  1. uma ação revolucionária, dirigida pelas classes médias urbanas, que defendia a ruptura política com a Metrópole, o fim gradual da escravidão e a formação de uma república popular nas Minas Gerais.
  2. uma tentativa de revolta contra as arbitrariedades das autoridades lusas que atuavam na colônia e que não chegou a eclodir porque havia divergência sobre onde seria a capital das Minas Gerais independentes.
  3. uma rebelião inspirada na Revolução Haitiana e que considerava positiva a política colonial de D. Maria I em relação ao Brasil, mas entendia que o governador da capitania de Minas Gerais era tirano.
  4. uma conspiração da elite letrada das Minas Gerais, assim como dos traficantes de escravos, contra o aumento das restrições mercantilistas, que impedia a circulação de mercadorias entre as capitanias do Brasil.
  5. um movimento bastante heterogêneo, tanto no que respeita à extração social dos agentes e suas motivações econômicas quanto às ideias que alimentavam acerca do sentido último do projeto sedicioso.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Errado

Comentário do professor

Inácio Corrêa Pamplona e Tomás Antônio Gonzaga ilustram a heterogeneidade da Inconfidência Mineira: um homem de armas, ligado à violência contra quilombos, e um letrado influenciado pela poesia e pelo Iluminismo.

Essa convivência de perfis revela diferenças de extração social — militares, fazendeiros, clérigos e intelectuais — e motivações distintas, que iam da defesa de interesses locais e fiscais até projetos políticos inspirados em ideias ilustradas.

As motivações econômicas também variavam: insatisfação com a cobrança tributária, proteção de privilégios locais ou ambições pessoais.

Por fim, as propostas sobre o destino do movimento eram diversas — desde autonomia administrativa até repúblicas mais radicais — o que mostra que a Inconfidência não foi um movimento homogêneo, mas um conjunto de tendências e interesses convergentes e contraditórios.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo