Questão FC249272
Os livros de síntese sobre a história da independência da América Latina [...] quase não fazem referências à participação das mulheres nesses acontecimentos. O quase desapareciment
História Geral
VUNESP · 2023
Os livros de síntese sobre a história da independência da América Latina [...] quase não fazem referências à participação das mulheres nesses acontecimentos. O quase desaparecimento e esse silêncio em torno de sua atuação nos faz voltar à imagem prevalecente da mulher como criatura pouco interessada e nada participante nas questões políticas.
(Maria Lígia Coelho Prado, América Latina no Século XIX: Tramas, Telas e Textos)
Na obra citada, Prado
- comprova a quase total ausência feminina no processo de emancipação política latino-americana, que se resumiu a apoiar as forças realistas e sabotar as forças populares em luta contra o colonialismo ibérico.
- reconhece o importante papel exercido pelas mulheres na luta contra o colonialismo ibérico, mas critica a historiografia das mulheres por superestimar a participação feminina nas guerras de independência.
- indica que a participação política das mulheres nas lutas pela independência na América Latina é muito mais significativa do que se supõe, mostrando que as mulheres não estavam alheias às coisas públicas.
- distingue as mulheres pertencentes às classes proprietárias, sempre demarcando com as forças legalistas, e as mulheres oriundas das classes populares, participantes dos exércitos emancipacionistas.
- revela que as raras mulheres envolvidas no processo de independências da América Latina eram dedicadas à vida religiosa e se contrapunham aos realistas.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa aponta que Prado questiona o silêncio das sínteses históricas sobre a independência latino-americana e, com isso, sugere que a participação política feminina foi muito mais significativa do que a narrativa tradicional admite.
O excerto registra que as autoras quase não citam as mulheres, o que revela uma construção historiográfica que minimiza ou oculta sua presença. Assim, Prado implica que a imagem de mulher como alheia à política é fruto dessa omissão, não da ausência real de ação.
Em suma, a autora convoca à reavaliação das fontes e ao reconhecimento da agência feminina nas lutas emancipacionistas, mostrando que as mulheres efetivamente participaram da vida pública e política, embora isso tenha sido negligenciado pelos relatos canônicos.
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