Questão FC249277
Aqueles que dispunham de poder e traduziam os interesses econômicos dominantes tinham, diante de si, um rol de tarefas complexas. Era necessário construir novos Estados, com instit
História Geral
VUNESP · 2022
Aqueles que dispunham de poder e traduziam os interesses econômicos dominantes tinham, diante de si, um rol de tarefas complexas. Era necessário construir novos Estados, com instituições que garantissem a ordem e o controle sociais, mas também conferissem legitimidade aos que governassem. Grupos políticos antagônicos formavam-se, a Igreja lutava para não perder seu lugar hegemônico, debates furiosos travavam-se entre os que defendiam um governo centralizado e os que preferiam o federalismo.
(Maria Lígia C. Prado, América Latina no Século XIX: Tramas, Telas e Textos)
No excerto, a historiadora analisa a conjuntura após as independências hispano-americanas, contexto no qual aqueles que não dispunham de recursos, fossem econômicos ou culturais,
- receberam uma série de benefícios, ainda que provisórios, como a possibilidade de usufruto das terras que já ocupavam antes da declaração de independência e direito indígena à educação.
- tiveram poucos ganhos econômicos permanentes, mas houve a oferta da cidadania plena, com amplos direitos políticos e direito à escolarização básica, laica, pública e gratuita.
- optaram, em geral, por emigrar da terra natal, buscando o espaço urbano ou localidade que oferecesse um acesso mais fácil à pequena propriedade rural e os direitos mais básicos, como educação.
- rebelaram-se de forma recorrente ao longo do século XIX, com grandes conquistas em relação ao acesso à terra, mas sem a conquista da cidadania política ativa, assim como de outros direitos básicos.
- teriam de se organizar, lutar, sofrer e morrer para alcançar seus objetivos, como reformas sociais de peso, pois as lutas de independência não mudaram as vidas dos “de baixo”.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa aponta que as camadas populares, que não detinham recursos econômicos ou culturais, não foram beneficiadas pelas independências e precisaram organizar-se, lutar e muitas vezes sofrer e morrer para buscar mudanças profundas.
Isso ocorre porque a ruptura política com a metrópole manteve intactas as estruturas sociais e a propriedade da terra; as elites locais preservaram privilégios e o acesso ao poder, deixando as demandas por reformas sociais — terra, cidadania e direitos básicos — nas mãos de mobilizações populares prolongadas.
Assim, a alternativa sintetiza a continuidade da exclusão social pós‑independência e a necessidade de conflitos e organização popular para transformar efetivamente as condições de vida dos chamados “de baixo”.
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