Questão FC249285
Segundo Maria Ligia Coelho Prado, no livro América Latina no século XIX, “a constância da presença dos heróis nacionais na produção desses historiadores liga-se, de um lado, às que
História Geral
VUNESP · 2019
Segundo Maria Ligia Coelho Prado, no livro América Latina no século XIX, “a constância da presença dos heróis nacionais na produção desses historiadores liga-se, de um lado, às questões políticas da edificação da nação e, de outro, à perspectiva dominante na época, que conferia fundamentalmente aos grandes homens a realização dos feitos históricos.
Entretanto, no campo do simbólico, os heróis nacionais só foram consagrados depois de lutas de representação, que determinaram escolhas e exclusões particulares a cada país.”
No contexto do texto, é correto afirmar que a trajetória de Simón Bolívar envolveu:
- desprezo e depois sua consagração como herói na década de 1840 na Venezuela, quando o país viveu intensas lutas políticas com ameaça de sua coesão interna.
- a construção de uma imagem de herói exemplar na época em que percorreu as regiões da América do Sul, lutando pela independência da Colômbia, México, Brasil e Equador.
- a rejeição como traidor da pátria ao longo do século XIX na Colômbia, e o elogio como herói, em outros países da América Latina, quando desponta o século XX.
- debates calorosos, críticas e desprezo de seus aliados e da população do continente americano por ter se envolvido nas guerras de independência dos Estados Unidos.
- imagem de homem pobre e modesto, descendente da população nativa, elevado a herói e pai da nação, na década de 1810, por ter vencido a guerra de descolonização no Equador.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Desprezo inicial e posterior consagração aplicam-se à trajetória de Simón Bolívar porque a imagem pública dele foi objeto de disputas simbológicas após a independência. Segundo a leitura de Maria Lígia Prado, heróis são construídos por escolhas políticas e por lutas de representação.
No período imediatamente seguinte à sua morte houve críticas ao caráter autoritário atribuído a Bolívar e rejeição por parte de setores políticos e da elite, o que explica o desprezo inicial.
Na década de 1840, em contexto de crises e ameaça à coesão interna da Venezuela, atores políticos recuperaram sua figura como símbolo de unidade. Essa instrumentalização resultou na sua consagração como herói nacional.
Assim, a trajetória de Bolívar ilustra como a construção nacional reavalia e transforma reputações segundo necessidades políticas e memórias simbólicas.
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