Questão FC249303
Do ponto de vista prático, a posse de todos os instrumentos de força e violência por parte do totalitarismo no poder cria uma situação difícil e paradoxal para o movimento totalitá
História Geral
VUNESP · 2022
Do ponto de vista prático, a posse de todos os instrumentos de força e violência por parte do totalitarismo no poder cria uma situação difícil e paradoxal para o movimento totalitário.
(Hannah Arendt, Origens do totalitarismo)
Para Hannah Arendt, “uma situação difícil e paradoxal” refere-se
- às limitações que o poder de governo impõe para os projetos totalitários, porque esses regimes não podem governar mantendo práticas e discursos de força e violência diante das cobranças diplomáticas vindas das nações que mantiveram estruturas políticas liberais.
- aos acordos estabelecidos, nas nações que enveredam para ordens totalitárias, com as instituições dominantes, pelos quais prevaleceria a uma ampla liberdade de culto e a manutenção de seus respectivos quadros formativos, protegendo-os contra quaisquer formas de violência estatal.
- ao fato de que possuir o poder significa o confronto direto com a realidade, e o totalitarismo no poder procura constantemente evitar esse confronto, mantendo o seu desprezo pelos fatos e impondo a rígida observância das normas do mundo fictício que criou.
- ao contraditório movimento das ordens totalitárias a partir do contexto de conquista do poder de Estado, e esses governos priorizam um discurso de violência e ódio contra várias minorias, mas efetivam políticas públicas que são, em geral, baseadas em preceitos liberais.
- aos compromissos políticos assumidos pelos movimentos totalitários antes da chegada ao poder de Estado, que se tornaram barreiras para a plena efetivação de uma ordem totalitária, obrigando esses novos governos a reconhecer direitos tradicionais de algumas minorias.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Arendt aponta que o regime totalitário, ao tomar o poder, encontra o confronto com a realidade: administrar um Estado exige lidar com fatos sociais, econômicos e administrativos que não se submetem a discursos.
O paradoxo reside em que o totalitarismo procura evitar esse contato com a realidade, mantendo o desprezo pelos fatos e exigindo a obediência a um mundo fictício construído pela ideologia. Assim, embora disponha de instrumentos de força, o regime precisa negar ou reescrever a realidade para sustentar sua narrativa.
Essa dinâmica explica por que o poder totalitário recorre à propaganda, à burocracia normativa e à repressão: são meios de impor a ficção sobre os fatos, evitando que as contradições práticas derrubem a pretensão de um controle total.
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