Questão FC249309
O mundo, ou seus aspectos relevantes, tornou-se pós- -industrial, pós-imperial, pós-moderno, pós-estruturalista, pós-marxista, pós-Gutenberg, qualquer coisa. […] a transformação ma
História Geral
VUNESP · 2022
O mundo, ou seus aspectos relevantes, tornou-se pós- -industrial, pós-imperial, pós-moderno, pós-estruturalista, pós-marxista, pós-Gutenberg, qualquer coisa. […] a transformação mais sensacional, rápida e universal na história humana entrou na consciência das mentes pensadoras que a viveram.
A novidade dessa transformação está tanto em sua extraordinária rapidez quanto em sua universalidade. Claro, as partes desenvolvidas do mundo, isto é, para fins práticos, as partes central e ocidental da Europa e da América do Norte, além de uma pequena faixa de ricos e cosmopolitas em toda parte, há muito viviam num mundo de constante mudança, transformação tecnológica e inovação cultural. Para eles, a revolução da sociedade global significou uma aceleração ou intensificação de movimento a que já se achavam acostumados em princípio. […] para a maior parte do globo as mudanças foram igualmente súbitas e sísmicas. Para 80% da humanidade, a Idade Média acabou de repente em meados da década de 1950; ou talvez melhor, sentiu-se que ela acabou na década de 1960.
(Eric Hobsbawm, Era dos extremos. Adaptado)
Para Hobsbawm, tais transformações presentes após a Segunda Guerra, referem-se
- à preponderância das democracias representativas em todos as regiões, especialmente no Oriente Médio; ao acentuado envelhecimento das populações nas nações mais pobres; às lentas transformações ocorridas nas estruturas agrárias dos países em desenvolvimento.
- à drástica redução do campesinato; ao crescimento das ocupações profissionais que exigiam uma educação secundária e universitária; ao declínio, a partir dos anos 1980, das classes operárias industriais e ao papel impressionantemente maior desempenhado pelas mulheres nas sociedades desenvolvidas.
- à percepção, por parte das nações neocolonizadas, da importante contribuição civilizatória oferecida pelos países europeus; à materialização de um comércio internacional marcado pela equidade entre nações ricas e pobres e ao decréscimo dos gastos das nações com armamento.
- à contraditória recuperação da população do campo nas nações mais ricas; ao aumento da igualdade econômica entre as nações desenvolvidas e as nações mais pobres e o frágil desenvolvimento científico- tecnológico fora das fronteiras norte-americanas.
- à extraordinária proteção à economia das nações mais pobres realizada pelo Banco Mundial e pelo FMI; à conquista da universalização do acesso à escola, mesmo nas nações subdesenvolvidas e ao fortalecimento geopolítico e econômico do continente europeu.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa B reúne, de forma sintética, as transformações centrais apontadas por Hobsbawm para o pós‑Segunda Guerra: a rápida redução do campesinato decorre da intensa urbanização e mecanização agrícola, que deslocaram populações para cidades.
O crescimento das ocupações profissionais que exigem educação secundária e universitária reflete a expansão escolar, a terciarização da economia e a demanda por qualificação técnica e acadêmica.
O declínio das classes operárias industriais a partir dos anos 1980 traduz a desindustrialização, a automação e as políticas econômicas que reduziram emprego fabril.
Por fim, o papel maior das mulheres manifesta‑se na crescente participação no mercado de trabalho, nos estudos superiores e nas lutas por direitos, mudando profundamente estruturas familiares e profissionais — justamente a rapidez e universalidade das mudanças que Hobsbawm enfatiza.
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