Questão FC249343
A novidade da década de 1950 foi que os jovens das classes alta e média, pelo menos no mundo anglo-saxônico, que cada vez mais dava a tônica global, começaram a aceitar a música, a
História Geral
VUNESP · 2023
A novidade da década de 1950 foi que os jovens das classes alta e média, pelo menos no mundo anglo-saxônico, que cada vez mais dava a tônica global, começaram a aceitar a música, as roupas e até a linguagem das classes baixas urbanas, ou o que tomavam por tais, como seu modelo.
(Eric Hobsbawm, Era dos extremos.)
Para Hobsbawm, um exemplo do fenômeno apresentado refere-se
- aos jovens aristocratas que começaram a abandonar os sotaques que, na Grã-Bretanha, identificavam infalivelmente os membros de sua classe, e passaram a falar de modo aproximado à fala da classe operária.
- a um processo relativamente paradoxal, porque as elites europeias deixaram de lado as formas de vestir mais formais, e as classes populares encontraram como uma forma de ascensão social vestir-se como as elites.
- à juventude das classes médias que passou a questionar as práticas de consumo das elites econômicas e a defender princípios relacionados com o consumo consciente e a preservação do meio ambiente.
- a uma tendência da classe operária e da classe média, setores sociais essencialmente urbanos, em se apropriar de saberes tradicionais dos camponeses, como o de fazer vestimentas artesanais.
- à aproximação dos jovens das classes subalternas com as práticas culturais mais elitizadas, fosse por meio da apropriação da música clássica ou do reconhecimento e valorização da moda mais elitizada.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa apresenta, de modo preciso, o fenômeno descrito por Hobsbawm: jovens da classe alta e média que passam a adotar modos de falar próximos aos da classe operária.
Os sotaques funcionam como marcadores sociais: indicar origem, escolaridade e posição na hierarquia. Quando aristocratas abandonam esses traços, há uma ruptura simbólica com a identidade de classe tradicional.
Esse comportamento revela duas coisas centrais: a juventude como agente cultural e a inversão do fluxo cultural — em vez das classes baixas imitarem as elites, parte das elites incorpora elementos das camadas populares.
Assim, a mudança linguística exemplifica o processo mais amplo apontado por Hobsbawm, de apropriação cultural e de dissolução de fronteiras rígidas entre classes no pós‑guerra.
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